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PF pede ajuda para expulsar garimpeiros
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CAIAPÓS |
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BELÉM - A Polícia Federal do Pará pediu ao Ministério da Aeronáutica um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar seus agentes que vão tentar retirar garimpeiros ilegais da reserva dos índios caiapós, em São Félix do Xingu, no Sul do Estado. O prazo que os índios deram para a saída pacífica dos garimpeiros, que extraem ouro, terminou à meia-noite de ontem. A greve dos policiais federais, segundo a delegada da Polícia Federal Cristiane Machado, está atrapalhando o deslocamento até São Félix do Xingu, mas a operação deve começar hoje. "A região onde se localizam as aldeias caiapós é muito extensa e problemática", disse a delegada.
Em cerca de 3,8 milhões de hectares - o equivalente ao tamanho dos estados de Sergipe e Paraíba juntos - há 25 aldeias das tribos caiapós e paracanã, onde vivem 4.500 índios. Em três dessas aldeias foram instalados postos de vigilância para impedir a entrada de madeireiros, fazendeiros e garimpeiros. A fiscalização dos órgãos ambientais sobre as florestas ainda intactas é muito difícil por causa da distância e do isolamento.
Na reserva foram identificadas pelo menos mais duas áreas onde haveria garimpeiros com máquinas fazendo extração e contrabando de ouro. Próximo à aldeia kriketun, a Fundação Nacional do Índio (Funai) fotografou pistas para pouso de aeronaves e identificou grupos de garimpeiros à altura do rio Xim Xim. Numa área perto da aldeia Kendjan, a extração acontece perto de um acidente geográfico conhecido pelos indígenas como Pedra Sagrada, um símbolo religioso dos caiapós.
O cacique Kerangré Xicrin condena a permissão concedida aos garimpeiros pelos caciques Bekerê e Rayol, da aldeia Pykany, para a extração de ouro dentro da reserva. E afirma que isso está jogando "irmãos contra irmãos". O garimpo, enfatiza Kerangré, provoca danos ao meio ambiente e à comunidade indígena. "Eu não gosto nem de garimpeiro e nem de madeireiro porque eles estragam a água, a terra e a floresta. Depois que estragam tudo eles vão embora e deixam para nós e nossas famílias somente buracos e doenças", declarou o cacique Kerangré Xicrin.
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