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Pitta é solto após desacatar senador
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Ex-prefeito discutiu com o presidente da CPI |
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BRASÍLIA - O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (1997-2000) foi liberado na tarde de ontem após prestar esclarecimentos na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Ele havia sido preso por desacatado à autoridade em discussão com o presidente da CPI do Banestado, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT). Pitta estava acompanhado por seu advogado. De acordo com a assessoria da superintendência da PF, Pitta foi liberado porque o crime de desacato é considerado menor - prevê pena leve, de seis meses a dois anos de reclusão ou multa. Na PF, foi lavrado um termo circunstanciado. A Justiça, agora, determinará a pena.
Pitta foi convocado para depor na CPI após sua ex-mulher Nicéa Camargo afirmar que ele tinha contas no exterior, mas se recusou a responder às perguntas relacionadas ao depoimento dela. "Eu me reservo o direito de manter o silêncio", afirmava o ex-prefeito. Documentos apresentados por Nicéa apontam que ele movimentou US$ 1,5 milhão numa conta em Nova York (EUA). Outra conta em seu nome foiaberta na Suíça, mas os recursos foram transferidos para paraísos fiscais.
Durante depoimento à comissão, Pitta discutiu com Paes de Barros depois de ser questionado se responderia a uma pergunta que o relacionasse a atos de corrupção. Irritado, Pitta disse: "Se eu indagasse a Vossa Senhoria se o senhor continua batendo em sua mulher o senhor responderia?". A resposta do ex-prefeito paulistano revoltou os congressistas. "Eu exijo respeito. Não bato em minha mulher, nem sou assaltante de cofres públicos", disse o senador.
O presidente da CPI suspendeu a sessão para decidir sobre o pedido do deputado. Discutiu qual providência tomar junto com outros integrantes da comissão. Em seguida, deu voz de prisão a Pitta por desacato à autoridade e suspendeu a sessão secreta que deveria continuar com o depoimento do ex-prefeito a portas fechadas.
Assim como fez em depoimento na semana passada à comissão, Pitta se negou ontem a responder se tinha contas no exterior. Na sessão anterior, ele havia recusado, por três vezes, a assinar um termo de compromisso para dizer a verdade. Ontem, Pitta respondia de forma evasiva e dizia não se lembrar de determinadas datas e nomes.
Na abertura dos trabalhos de ontem, o presidente da CPI leu uma liminar conseguida no STF (Supremo Tribunal Federal) que obrigava o ex-prefeito paulistano a falar e que garantia que a sessão fosse aberta. A decisão, no entanto, dava a Pitta a prerrogativa de não responder a perguntas que julgasse revelar dados sigilosos sobre sua vida. Ele só respondeu a nove das 48 perguntas feitas pelo relator, deputado José Mentor (PT-SP).
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