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Edição de Terça-Feira, 20 de Abril de 2004 
Viver | Livro revela cinema falado de Eduardo Coutinho
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VIVER
Livro revela cinema falado de Eduardo Coutinho
Ela tem intimidade com o objeto de estudo -o trabalho do diretor Eduardo Coutinho. Foi dela a idéia do filme Edifício Master (2002), no qual também trabalhou como pesquisadora, assistido por mais de 80 mil pessoas no Brasil, número expressivo para um documentário. Ela também dirigiu uma das cinco equipes de Babilônia 2000, que mostrou a virada do ano no Morro da Babilônia, favela de Copacabana, no Rio.

  Por isso mesmo, Consuelo Lins, professora de cinema da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e crítica do gênero documental, resolveu escrever o livro O Documentário de Eduardo Coutinho - Televisão, Cinema e Vídeo, um dos lançamentos da editora Jorge Zahar nesta Bienal. "Estudo o cinema do Coutinho desde 1996. E não tem relação com algum trabalho acadêmico. É obsessão mesmo", brinca a professora.

  São passados a limpo na publicação os 40 anos de trajetória do diretor -iniciados em 1964 com o começo das filmagens de Cabra Marcado para Morrer, interrompidas pelo golpe militar. O livro termina com Peões, documentário que deveria estrear junto com o lançamento do livro, mas que foi adiado para o segundo semestre. "É curioso falar de algo que ninguém falou ainda", diz Consuelo.

  O Documentário de Eduardo Coutinho traz uma abordagem múltipla, que mescla as experiências práticas e teóricas da autora. Aborda procedimentos de criação, métodos de trabalho e opções técnicas e estéticas.

  "No capítulo sobre Edifício Master, por exemplo, falo como foi feita a pesquisa, analiso o filme e até a recepção do público", diz. Ela ainda destaca que, nos quatro últimos trabalhos (Santo Forte, Babilônia 2000, Edifício Master e Peões), Coutinho optou por fazer pesquisas antes das filmagens. "Ele manda a equipe filmar os personagens. Depois, pelo vídeo, seleciona aqueles que vai entrevistar", diz. "Se ele escolhe 40 pessoas, provavelmente 35 serão utilizadas. É um método que funciona bem."

  Consuelo define o trabalho de Coutinho como "cinema falado", por privilegiar o discursos dos entrevistados, falando para a câmera (oupara ele). "Mas não é apenas a fala, são as expressões, o rosto, as pausas, os silêncios", diz. Ela ainda destaca o fato de o diretor revelar o processo de produção. "A equipe aparece, a câmera pode ser mostrada, ele mesmo aparece."

  O livro traz ainda fichas técnicas dos filmes, uma cinebiografia e prefácio de João Moreira Salles, além do capítulo Projetos, em que o cineasta afirma que gostaria de fazer um filme em alguma cidade do interior do Nordeste, sem pesquisa ou roteiro pré-determinado.(A.P.)

Serviço

O Documentário de Eduardo Coutinho
De Consuelo Lins
Jorge Zahar Editor
208 págs., R$ 36
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