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Atualizado em 13|04|2004 
Viagem | Construída sobre um vulcão
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Viagem
Construída sobre um vulcão
Poços de Caldas, em Minas Gerais, consolidou-se como recanto de recém-casados
Otacílio Lage especial para o diario
As primeiras fontes e nascentes foram descobertas no século 17. Águas raras e com poderes de cura respondem desde então pela prosperidade da cidade. Em 1886 já tinha casas de banho para atender visitantes em busca de tratamento de doenças de pele. Mas foi na década de 20 do século passado que ganhou infra-estrutura adequada à demanda de turistas, com a construção das Thermas Antônio Carlos, um dos mais belos prédios da cidade.

A prosperidade e o luxo tiveram seu grande momento em Poços de Caldas enquanto o jogo esteve liberado no Brasil. A proibição dos cassinos, em 1946, e a descoberta do antibiótico tiveram forte impacto para o turismo na cidade. O termalismo deixou de ser a maneira mais eficaz de tratar as doenças para as quais era indicado e, com os cassinos fechados, a economia local sofreu um drástico abalo.

Mas não se deu por vencida: a alternativa foi entrar no ''ciclo da lua-de-mel'', quando se tornou elegante passar as núpcias na cidade. O turismo conseguiu então fôlego e sobreviveu. Em meados de janeiro, só num dos principais hotéis da cidade estavam hospedados 14 casais em núpcias. Para maio - mês típico dos casamentos -, esse mesmo hotel já tem reservados, ao longo do mês, 52 de seus 200 apartamentos. Reservas feitas, em sua maioria, por paulistas, goianos e nordestinos.

Depois desse período, o perfil do turista que visita Poços mudou. A classe média e grandes grupos passaram a freqüentar as termas, a visitar as fontes e outros pontos de atração da cidade, antes restritos à elite. Hoje, a cidade está investindo novamente para aumentar o número de visitantes, explorando outros belos atrativos de que dispõe, como aqueles relacionados ao turismo ecológico, cultural e de aventura, além de esportes radicais.

Em Poços de Caldas come-se muito bem. Numerosos restaurantes de comida típica e de culinária italiana, japonesa e chinesa estão nas esquinas mais movimentadas, com preços acessíveis a diferentes bolsos. Visitar Poços de Caldas e não experimentar seus queijos e doces é deixar de conferir o melhor do paladar mineiro. O doce de leite e o queijo fresco são os mais apreciados e consumidos pelos turistas, seguidos de perto pelos cristalizados e o chocolate artesanal, além dos vinhos e embutidos fabricados na terra.

Quanto ao artesanato, a cidade se destaca nos mais diversos trabalhos em malha, tricô, crochê, bordados, cesta de palha, sabonetes, artefatos em couro, entre outros. Os artigos preferidos pelos turistas são a bolsa de feira e o cesto de piquenique. Três feiras - duas ao longo da semana e uma aos domingos e feriados - dão ao turista múltiplas opções de compras, além do Mercado Municipal, aberto de segunda a sábado, das 7h às 18h, e aos domingos, das 7h às 12h. No local, são comercializados doces, queijos, geléias, frutas, artesanato e flores.

Tradição que vem da antigüidade, os cristais de Poços de Caldas são conhecidos internacionalmente. Seus fabricantes são descendentes de famílias de vidreiros artísticos que viviam na Ilha de Murano, perto de Veneza, na Itália, desde o ano de 1300. Na cidade, existem quatro fábricas, duas delas abertas à visitação gratuita.

A cidade dispõe de aeroporto capaz de receber aviões de até 50 passageiros - a ampliação custou R$ 10,3 milhões e foi inaugurada no dia 13 passado. Mais de 40 hotéis, com 7 mil leitos, oferecem diárias para todas as faixas de poder aquisitivo - a maioria com refeição completa. Pelo menos oito têm piscinas térmicas, por estar Poços de Caldas situada em região de clima ameno, com predominância do frio em boa parte do ano.


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Para ir

Localizada a 492 quilômetros de Belo Horizonte, Poços é acessada, a partir da capital mineira, pela rodovia Fernando Dias (BH-São Paulo) até entroncamento de Varginha, dali seguindo-se através de Elói Mendes, Paraguaçu, Machado, Campestre e Bandeira do Sul.

 
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