Em um dos dias mais simbólicos na luta pela reforma agrária no País, os movimentos sociais promoveram ontem mais cinco ocupações de terra em várias regiões de Pernambuco. Depois das investidas de ontem, o Estado já contabiliza 61 ocupações de terra desde o final de março, deixando a região no topo do ranking nacional de invasões a propriedades rurais este ano.
Somente o MST realizou três ocupações ontem, que envolveram cerca de 500 pessoas. A primeira delas ocorreu na fazenda Berra Boi, em Glória do Goitá, que foi ocupada por cerca de cem agricultores. As outras duas ocupações ocorreram na fazenda Rancharia, no município de Petrolândia, mobilizando 150 pessoas; e na fazenda Divisão, em Água Preta. Ambas foram ocupadas no início da manhã de ontem, mas não houve conflito.
De acordo com a coordenação estadual do MST, um total de 31 propriedades foram ocupadas desde o início da jornada de luta pela reforma agrária, que foi encerrada ontem. Mesmo não conseguindo cumprir a meta de 35 terrenos invadidos, o MST ocupa a liderança do índice de ocupações de terra entre os movimentos locais. Logo em seguida vem a Fetape (Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco), com 21 ocupações; a Organização de Luta no Campo (OLC), com cinco; e por último o Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL), com quatro, das quais duas foram realizadas ontem.
As duas fazendas ocupadas pelo MTL na madrugada de ontem envolveram pelo menos 180 famílias. Na primeira ocupação, cerca de 80 famílias montaram barracos às margens da BR-101, próximo a uma fazenda em Barra de Guabiraba, no Agreste Meridional, a 144 Km do Recife. Os manifestantes alegam que a área é improdutiva e exigem o envio de uma equipe de vistoria do Incra. Na segunda investida do MTL, mais de cem famílias também optaram por montar um acampamento às margens da BR-101 Norte, em Paulista, próximo a uma propriedade situada nas proximidades do Terminal de ônibus da Macaxeira. Em ambos os casos, os proprietários não foram identificados.
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