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Padre Henrique para as novas gerações
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Documentário resgata um dos crimes políticos mais marcantes da ditadura militar em Pernambuco |
Michelle de Assumpção Da equipe do DIARIO |
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Terça-feira, 29 de maio de 1969. Na sede da arquidiocese de Recife e Olinda, o então arcebispo Dom Hélder Câmara aguardava a confirmação sobre a identidade de um corpo, com tiros e marcas de tortura, encontrado nos arredores da Cidade Universitária. Outros amigos também se faziam presentes e, ao telefone, Dom Lamartine confirmava o que todos já temiam: era sim o padre Antônio Henrique Pereira, coordenador da Pastoral da Juventude. Às vésperas de completar 35 anos do episódio, o documentário Memórias de um Tempo Sem Memória recompõe um dos crimes políticos mais marcantes da Ditadura Militar em Pernambuco: o assassinato do Padre Henrique, auxiliar direto de Dom Hélder Câmara. O vídeo é um trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da Universidade Católica, assinado por Shiley Pacheco, Lana Reis e Bruno Moreira. Será exibido hoje, às 20h, no bar Garraffos, num evento organizado pela ONG Tortura Nunca Mais.
No mês que também marca os 40 anos do Golpe Militar - documentos secretos em arquivos que até hoje nãoforam abertos - o documentário vem esclarecer um crime que mexeu com todo Estado. O assassinato do padre, mesmo nos jornais da época, nunca foi matéria tratada com o devido rigor investigativo, deixando brechas para que até hoje se especule sobre suas motivações e verdadeiros culpados. O documentário abre com o clima de terror vivenciado pelos perseguidos no golpe de 1964. Uma simulação retrata as circunstâncias do assassinato. Fotos inéditas mostram as imagens do morto, marcas de tortura no seu corpo, o local onde foi encontrado, etc.
Além das fotos, imagens do corte
jo que levou o corpo do padre Henrique da igreja do Espinheiro até o cemitério da Várzea também aparecem. Imagem que revela a repercussão do crime, pois estavam lá centenas de milhares de pessoas, entre militantes católicos e estudantes, em sua maioria, e em menor número e mais violenta, a polícia, que tentava abortar a manifestação em que se transformou o cortejo, com faixas de "abaixo a ditadura!" e tudo o mais.
A narrativa vai sendo feita por pessoas que acompanharam o processo judicial, como a do desembargador Nildo Nery, que atuou no caso como juiz; além de Isaíras Pereira, sua irmã, e do major Ferreira, um dos acusados pelo assassinato. "O crime foi considerado passional, o documentário não tira conclusões, deixa essas questões em aberto, mas mostra claramente o envolvimento da polícia", diz Shiley Pacheco.
Serviço
O que: Exibição do vídeo Memórias de Um Tempo Sem Memória Onde: Bar Garraffos (Rua Conselheiro Nabuco, 21, Casa Amarela. Fone: 32650005. Por trás do Sítio da Trindade) Quando:Hoje, às 20h
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