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Proposta de e-mail pago começa a gerar polêmica
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Criação de selo para as mensagens vem dividindo opiniões em todo o Mundo |
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Escrever o texto, enfrentar a fila para postagem e esperar alguns dias para receber a resposta. Esse era o procedimento comum para trocar mensagens pelo Mundo afora, com o uso do correio. Com o advento da internet, passamos a utilizar o e-mail e tudo ficou mais fácil e ágil. Outra vantagem das mensagens eletrônicas é a gratuidade. Mas elas podem passar a serem pagas caso sejam aceitas as propostas da Microsoft e da Goodmail Systems. O raciocínio dos executivos é que se o serviço dos Correios fosse gratuito, nossas caixas de correio estariam lotadas de ofertas de cartão de crédito e todo tipo de propaganda. A mesma idéia vale para o e-mail - como não é pago, os spammers fazem a festa.
É por isso que o dono da Microsoft, Bill Gates, e outros executivos propuseram a criação de um selo para e-mails como uma forma de evitar as mensagens indesejadas. O internauta não pagaria em dinheiro, mas dedicaria uma parte de seu tempo para solucionar um quebra-cabeça, que provaria a boa fé do remetente. Mas já tem gente pensando em ganhar dinheiro. A empresa Goodmail Systems apresentou à Yahoo! e a outros provedores a proposta de que os usuários pagassem uma taxa por cada mensagem. Haveria variações de preços: "os usuários individuais poderiam enviar gratuitamente um número limitado de mensagens" e pagariam mais aqueles que enviam textos para muitas pessoas.
"Acho a sugestão de Bill Gates muito válida, porque não pode continuar do jeito que está. A quantidade de spams está tornando o e-mail um método de comunicação sem credibilidade", declara o diretor técnico da Hotlink, Gustavo Pinheiro. Os provedores têm investido cada vez mais em equipamentos e softwares para não prejudicar o usuário no recebimento das mensagens, mas o inimigo parece ser mais forte. "É uma luta ingrata. A cada dia, mais pessoas utilizam conexões banda larga, com capacidade de enviar milhões de mensagens em um curto espaço de tempo, sobrecarregando os servidores", reclama Pinheiro. A Hotlink, por exemplo, recebe 280 mil e-mails ao dia, sendo 60% spams, segundo estatísticas próprias.
RESTRIÇÕES - "Introduzir uma restriçao monetária como a criação de um selo digital me parece uma idéia interessante, mas exige uma grande energia em sua operacionalização no que diz respeito à produção e comercilização desses selos e na adaptaçao dos servidores de gerenciamento de mensagens eletrônicas", analisa o diretor da Truenet Herman Braga. Ele lembra que quase todos os serviços de e-mail possuem algum tipo de restrição - cota de armazenamento, taxa de transferência, bloqueios a listas de spam. "Mas elas se mostram inócuas, porque o volume de spams é muito maior do que o de mensagens úteis".
"A proposta de tarifar os e-mails é bem parecida com o modelo das mensagens dos celulares (SMS), em que o usuário teria uma quantidade de e-mails grátis por mês para enviar", compara Gustavo Pinheiro. A medida, na opinião dele, diminuiria as mensagens indesejadas. "Todos os spammers seriam cadastrados, o que facilitaria no bloqueio". Para ele, haveria custos, mas "aqueles que passam milhares de e-mails sem gastar praticamente nada iriam pagar e pensariam duas vezes antes de enviar mensagens".
Por outro lado, alguns especialistas condenam a sugestão, acreditam que não é uma boa idéia transformar o e-mail em uma commodity econômica. Além disso, seria perdida a característica de veículo democrático de troca de informações. Há os que acreditam que a melhor forma de combater o spam é na Justiça. Tramita no Congresso Nacional Brasileiro o projeto de Lei 2186/03, que propõe a cobrança de uma multa de R$ 200,00 por mensagem não solicitada enviada. O projeto está sendo analisado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados. (A.P.)
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