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Edição de Quarta-Feira, 31 de Março de 2004 
Esportes | País deve ir aos Jogos sem ilusão
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ESPORTES
País deve ir aos Jogos sem ilusão
GINÁSTICA
RIO - Um dos principais responsáveis pelo crescimento da ginástica artística brasileira, o técnico da seleção, Oleg Ostapenko, desfez ontem qualquer ilusão quanto a um excepcional desempenho do País nos Jogos Olímpicos de Atenas e apontou somente Daiane dos Santos, como a única possibilidade de medalha na modalidade. Realista, o treinador se mostrou descrente quanto a possibilidade de outra ginasta, inclusive Daniele Hypolito, estar presente em alguma das finais na competição grega.

  O técnico da seleção elogiou as qualidades de Daniele, mas ressaltou que a atleta do Flamengo não está em um bom momento. Para Ostapenko, não haverá tempo suficiente para que ela volte a sua excelente performance física e técnica. "A Daniele pode melhorar um pouco em todos os exercícios. Mas não é possível que ela consiga conquistar uma medalha ou mesmo se classificar para uma final", afirmou o treinador. "A Daiane pode chegar a final do solo e só. No salto ela não terá condições. Além dela, nenhuma outra irá mais longe."

  De acordo com Ostapenko, a terceira etapa da Copa do Mundo de Ginástica, prevista para ser disputada entre sexta-feira e domingo, no Rio de Janeiro, tem por objetivo apenas preparar mais as atletas e os ginastas brasileiros à Olimpíada da Grécia. Para o treinador, a competição servirá para avaliar, principalmente, a equipe feminina que irá completa para os Jogos Olímpicos. "Acho que o time feminino pode chegar em 8º lugar em Atenas (competem 12 países). Se Espanha ou Austrália sofrerem algum tropeço, podemos avançar".

  Ostapenko frisou que o fato de o Brasil ter despertado a atenção do mundo da ginástica já começou a render alguns obstáculos para os atletas. Reforçou que os juízes já estão sendo mais exigentes ao analisar as apresentações da seleção brasileira. "Se antes os juízes russos davam 9.50 pontos para uma apresentação da Daiane, agora, podem ser mais rigorosos na avaliação e darem, por exemplo, 9.45", contou o técnico da seleção. "E precisamos aprender a lidar com isso."

  Receptivo, sorridente e brincando com os jornalistas que o cercaram, Ostapenko, de 59 anos, ainda avaliou que a nova coreografia de Daiane, que será apresentada ao som do choro "Brasileirinho", precisa de "ajustes" finais para a Olimpíada de Atenas.

  Sobre o futuro, Ostapenko não quis confirmar se permanecerá treinando a seleção. Mas, destacou que se o Brasil montasse pelo menos mais três centros de treinamento, como o de Curitiba, elevaria ainda mais o nível da modalidade.

 
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