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Indústria não repassa alta da conta de luz
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REAJUSTE |
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A indústria pernambucana não deverá repassar, pelo menos por enquanto, o reajuste de até 16,31% sofrido nas contas de energia elétrica, em vigor desde ontem no Estado. Segundo a Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), as empresas terão que absorver o aumento sem poder repassá-lo aos preços finais dos produtos porque o mercado não suportaria. Os efeitos da majoração, diz a Fiepe, só serão sentidos dentro de três meses.
"Existem segmentos industriais, como o têxtil e o siderúrgico, que serão bastante prejudicados, pois a energia está entre seus principais insumos. Mesmo assim, eles não poderão repassar o aumento porque a demanda está baixa, a atividade econômica não cresceu", comenta o vice-presidente da Fiepe, Ricardo Essinger. De acordo com o executivo, trata-se de um círculo vicioso que pode levar algumas empresas à quebradeira.
Os grandes consumidores industriais foram os mais afetados pelo aumento que foi autorizado na segunda-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Pela primeira vez, o reajuste foi diferenciado de acordo com a categoria de consumo, seguindo as diretrizes do Decreto nº 4.667, de abril de 2003. Esse decreto, sobre política tarifária, estabeleceu diretrizes para o processo de realinhamento das tarifas, com a finalidade de acabar, gradualmente, com os subsídios cruzados entre grupos de consumo.
subsídio - Para Ricardo Essinger, no entanto, esses subsídios não existem na indústria. "Quem compra no atacado consegue preços melhores. Não podemos comparar um cliente que consome 50 mil kilowatts-hora com um que gasta apenas 300 kilowatts-hora por mês", critica. Mas, de acordo com o gerente do Departamento Comercial da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), Ricardo Galindo, os consumidores do Grupo A, que são as grandes indústrias, pagam em média 40% menos do que os clientes em baixa tensão, classe em que estão enquadrados os consumidores residenciais.
"As tarifas não poderão ser iguais, mas a intenção da Aneel é reduzir, gradativamente, essa diferença", diz Galindo. O executivo aproveita para esclarecer que, no final das contas, a fatura de consumo de energia para os grandes consumidores subirá, na verdade, 15,15%, e não 16,31%. "Os reajustes cairão 1,16% para todas as classes de consumo por causa da CVA (Conta de Variação de Valores da Parcela A) do ano passado", esclarece. Sendo assim, o aumento para as residências cai de 11,06% para 9,9%. (M.B.)
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