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Edição de Domingo, 28 de Março de 2004 
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A alegria dos banqueiros
Se soubessem que o primeiro ano do governo Lula seria o melhor ano de suas vidas os banqueiros não teriam feito tudo o que fizeram para melar a sua eleição, lembra? Se soubessem que o primeiro ano do governo Lula acabaria com os banqueiros contentes, e ninguém mais, muita gente teria votado no Serra. Afinal, para ter outro presidente do PSDB, melhor um registrado e sem disfarce. Mas quem poderia adivinhar? Uma das graves carências brasileiras é a da previsão competente. Nenhum outro país do Mundo tem tantos videntes, astrólogos, pressagiadores, quiromantes, cartomantes e analistas políticos. E não acertam uma morte de Papa, um casamento da Xuxa, um impeachment, uma desilusão! Vivemos nos surpreendendo com o futuro que não estava nos astros, nos búzios, na lógica e muito menos em biografias ou promessas de campanha.

  Mas a alegria dos banqueiros pode salvar o governo Lula nessa tentativa de venezuelização do País em aparente curso. Se é verdade que a economia é tudo e o resto é só decorrência ou barulho, então a satisfação de banqueiros nacionais e internacionais com a economia do jeito que está é a garantia de que Lula não vai virar Chaves. Eles não farão nenhum barulho, além dos naturais ruídos de plenitude e prazer. Não lhes interessa a venezuelização, pelo menos enquanto estiverem pagos e satisfeitos. E com banqueiros satisfeitos Lula pode enfrentar os escândalos e a crítica moralista, a reação ideológica, a Imprensa conservadora, os desiludidos do seu próprio partido, a rebeldia dos aliados e os descontentes com tudo em geral. Ter banqueiros satisfeitos ao seu lado é um pouco como andar no pátio da escola com aquele amigo parrudo que desencoraja qualquer desafio. Ninguém derruba você. Só xingam de longe.

  Mas se a venezuelização não interessa a quem interessa, interessa a quem? Numa entrevista ao Bob Fernandes da "Carta Capital" o ex-chefe do FBI no Brasil disse que os americanos têm a Polícia Federal brasileira no bolso. Já deve ter gente pensando na greve da PF como um lance de desestabilização manejadade fora, como a dos caminhoneiros no Chile de Allende. Mas se os banqueiros estão felizes, nem as mais delirantes teorias conspiratórias devem nos assustar. O que, no fim, só significa que a nossa dependência no humor deles já passou de total, como era antes. Agora é vital.

 
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