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Mulheres do judô sonham com pódio
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Judocas brasileiras apostam que o tabu será quebrado em Atenas |
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Nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, lutando fora de sua categoria, e vivendo as contrariedades causadas pelas improvisações do planejamento do judô, Edinanci Silva, foi sétima. Em Sydney, quatro anos mais tarde, seu desempenho foi dificultado por uma contusão no joelho, às vésperas da competição, e a judoca repetiu a sétima colocação. Assim como Edinanci, o judô feminino brasileiro ainda não tem uma medalha olímpica, apesar da tradição entre os homens, que foram ao pódio nas últimas cinco edições dos Jogos. As meninas apostam que o tabu será quebrado na Grécia.
"Não só acredito que estamos perto de uma medalha, como estou no meio das candidatas a conseguir isso. Não adianta termos material humano apenas. Mas agora o judô tem planejamento e infra-estrutura e juntar-se à seleção deixou de ser um sacrifício para ser um prazer", resume a meio-pesado Edinanci, de 27 anos, medalha de bronze no Mundial de Osaka, no ano passado, e na etapa búlgara no Circuito Europeu, em fevereiro. "Se pensarmos que o judô feminino tem apenas três edições olímpicas (foi incluído no programa dos Jogos em Barcelona/1992) o esporte é uma criança e nossos resultados expressivos".
Além de Edinanci, Vânia Ishii, no peso meio-médio, e Danielle Zangrando, no leve, também trouxeram medalhas de bronze do Circuito Europeu. Para Danielle, de 25 anos, que treina com o medalhista de ouro em Barcelona, Rogério Sampaio, em Santos, o judô feminino aos poucos deixa de ser a "sombra" do masculino e ganha personalidade própria. "É uma evolução recente, que começou em 1992, após os Jogos de Barcelona".
O técnico Floriano de Almeida também aponta evolução entre as mulheres, a partir do momento em que a modalidade passou a ser olímpica também no naipe feminino. "Estamos cada vez mais perto do pódio, a partir de uma maturidade e de uma bagagem que o judô vem adquirindo". O treinador destacou ainda o fato de hoje poder fazer um planejamento específico, de acordo com os interesses das meninas, independente das opções do grupo masculino.
"Hoje as meninas têm mais confiança e saem do Brasil para enfrentar as adversárias com mais personalidade". Vânia Ishii, de 30 anos, que além dos treinamentos técnicos pode contar com os conselhos do pai, Chiaki Ishii (medalha de bronze nos Jogos de 1972), acha que o Circuito Europeu e o bom nível interno do judô brasileiro deixa as meninas confiantes sobre os Jogos de Atenas. "Pelo menos uma medalhinha tem de vir dessa vez".
Apesar dos avanços, a evolução ainda não se deu em todas as categorias. O judô feminino tem vaga assegurada em três dos sete pesos olímpicos. O técnico Floriano entende que as melhores chances de ainda obter vagas estão com as representantes dos pesos ligeiro e pesado, que têm de ser campeãs ou terminar em segundo no Pan-Americano da Isla Margarita, em abril. "No meio-leve, a situação é muito difícil e, no médio, a vaga é praticamente impossível", esclarece Floriano.
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