BRASíLIA - Dificilmente a expressão "fogo amigo" se encaixaria tão bem em outro partido. O PT sofre muito mais com os "companheiros"do que propriamente com a oposição. O fogo amigo agora vem de um deputado distrital petista. Aqui em Brasília não tem vereador nem deputado estadual. Tem deputado distrital, que vale mais ou menos pelos dois. Pois bem, o distrital Augusto Carvalho, que já foi deputado federal, tinha o hábito de monitorar os gastos com passagens aéreas e diárias do governo FHC. Esta semana ele teve um encontro com o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, a quem entregou uma vasta documentação, pedindo "racionalidade no planejamento de gastos com as despesas de servidores públicos no exercício de suas funções". Ele contabilizou que as despesas com viagens e diárias no primeiro ano do governo do PT foram de R$ 933 milhões, valor muito próximo ao que foi gasto no último ano do governo passado (R$ 1,2 bilhão). Augusto Carvalho, que também está levantando os gastos do Legislativo e doJudiciário, não se limitou apenas à crítica. Ele encaminhou uma boa sugestão ao presidente Lula, que poderia ser seguida até por governos estaduais. Pelos cálculos do distrital, as milhagens (bônus que as companhias aéreas dão por cada bilhete adquirido) correspondem a 10% do valor de uma passagem. O percentual significaria uma economia de quase R$ 50 milhões. A sugestão dele é que esse bônus seja usado pelo governo (e não pelo passageiro) na recompra de passagens. Parece bobagem, mas - só para citar um exemplo que tem tudo a ver com a farra das viagens - esse dinheiro pagaria a primeira prestação da nova aeronave da Presidência da República, um Airbus Corporate Jetliner, orçado em US$ 56,7 milhões (cerca de R$ 166 milhões).
UMAS & OUTRAS
E por falar em avião...
O pagamento de uma das prestações do Airbus personalizado do presidente Lula consumiu a bagatela de R$ 46,9 milhões e representa quase 50 vezes a soma do valor investido este ano pelo governo em segurança pública, transportes e organização agrária.Agenda positiva
O governo abriu o cofre e liberou recursos para acalmar os parlamentares da base aliada. É a chamada "agenda positiva" que servirá para debelar as chamas do escândalo Waldomiro Diniz. E, no vácuo dessa disposição de gerar boas notícias, os funcionários públicos também foram beneficiados. O aumento de cerca de 9% anunciado no meio da semana é bem melhor do que os 3% que estavam programados anteriormente. Não é nada, não é nada...
Corrupção
Saiu a lista dos maiores corruptos do mundo e o Brasil (graças a Deus) ficou de fora. Mesmo assim, o relatório da organização não-governamental Transparência Internacional (TI) assegura que o governo Lula fez pouco para combater a corrupção. Para quem não sabe, em setembro de 2002 - ou seja, em plena campanha - Lula assinou um compromisso com essa ONG de criar uma agência governamental de combate à corrupção. Até agora, nada.
Boa notícia
O Projeto de Lei 3010/04, que está sendo analisado pela Comissão de Viação e Transporte, cria o Fundo Nacional de Transporte Compartilhado Integrado Grátis (Funtecig). De acordo com a proposta, do deputado José Divino (PMDB-RJ), as empresas de transporte coletivo urbano que aderirem ao fundo deverão transportar gratuitamente os passageiros. O pagamento pelo serviço prestado seria efetuado pelo próprio Funtecig.
Bandeira
Sugestão do deputado federal Chico Alencar (PT-RJ) e do senador Eduardo Suplicy (PT-SP): eles acham que é hora de mudar a expressão "Ordem e Progresso", da Bandeira do Brasil e propõem que a locução volte à forma original criada pelo filósofo positivista francês Auguste Comte: "Amor, Ordem e Progresso".
Sudam e Sudene
Pode ser que esse assunto saia definitivamente da gaveta e das boas intenções. Os projetos de lei complementar 76/03 e 91/03, que recriam, respectivamente, a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) passam a tramitar em regime de urgência. O requerimento foi aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados no meio da semana. Os dois projetos, de autoria do Poder Executivo, foram encaminhados à Câmara entre julho e agosto do ano passado e tramitavam em regime de urgência constitucional, retirada pelo próprio Governo, para garantir um debate mais amplo sobre as propostas.
Nepotismo
Enquanto prossegue a discussão sobre a reforma do Judiciário, uma senadora de nome esquisito do PT Mato Grosso, Serys Slkessarenko, volta a um tema que mexe com os Três Poderes: o nepotismo. Ela manifestou-se a favor da extensão da proibição de contratação de parentes ao Executivo e ao Legislativo, norma já prevista em outras proposições legislativas.
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