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Edição de Domingo, 28 de Março de 2004 
Brasil | Recrutas resistem à camisinha
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BRASIL
Recrutas resistem à camisinha
BRASÍLIA - A cada ano, mais jovens brasileiros usam preservativo em todas as relações sexuais. Mas, ao mesmo tempo, um grupo mais vulnerável a ser infectado pelo vírus da Aids ainda não se rendeu ao apelo de dezenas de campanhas de informação. Uma pesquisa feita pelo Governo com 33,8 mil recrutas do Exército em todo o País mostrou que jovens com menor escolaridade, que iniciaram a vida sexual cedo e tiveram várias parceiras tendem a usar menos o preservativo - justamente aqueles que estariam em maior risco de contrair a doença.

  Hoje, os ministérios da Saúde e da Defesa fizeram um convênio para incrementar o atendimento dos jovens soldados. Os serviços de saúde dos quartéis irão distribuir preservativos aos recrutas e também realizara ações educativas e de prevenção.

  A pesquisa traça um perfil dos hábitos sexuais dos recrutas: 82% começaram a vida sexual antes dos 14 anos; 19% tiveram mais do que dez parceira; 14% disseram que já pagaram para ter relações sexuais; 2,8% admitiram ter tido relações homossexuais; e 3% revelaram que receberam dinheiro ou presentes em troca de sexo.

  O levantamento foi comparado com outro feito no mesmo grupo há sete anos, e mostrou avanços. Em 1997, apenas 38% dos recrutas entrevistados diziam usar o preservativo regularmente em todas as relações sexuais. Hoje, 50% deram a mesma resposta. Quase 70% disseram ter usado na última relação.

EDUCAÇÃO - O comportamento de risco diminuiu, de modo geral. No entanto, quanto menor a escolaridade e a renda, maior o risco. Na análise dos dados os pesquisadores apontam alguns fatores que fazem o perfil do jovem mais vulnerável à infecção: tem relações homossexuais, pode ter tido alguma outra doença sexualmente transmissível, tiveram mais de 10 parceiras na vida e cursaram menos do que o ensino fundamental completo. "A pesquisa confirma o que já sabíamos: o problema da informação se concentra na baixa renda e escolaridade. Reforça a idéia de que precisamos focalizar a prevenção nessa população, que é vulnerável", disse Alexandre Granjeiro, coordenador de DST do Ministério da Saúde.

  Especialmente entre os jovens que tiveram relações homossexuais, o comportamento de risco chamou a atenção dos pesquisadores. Dos 27 jovens infectados pelo vírus da Aids encontrados durante a pesquisa, sete tiveram esse tipo de relação. "Não mostraram práticas sexuais seguras, talvez pelo sentimento de perda de vulnerabilidade ou pela pouca ênfase nas campanhas promocionais dirigidas a esse subgrupo nos últimos tempos", diz o estudo.

  A única campanha de alerta para esse público foi feita pelo ministério em 2003. Outra está sendo estudada para o final deste ano, mas ainda não está confirmada. "O principal trabalho para esse grupo tem que ser local, nas escolas, trabalhando a discriminação. O principal problema aqui não é a falta de informação, mas a vulnerabilidade", disse Granjeiro.

  Falta de informação, de um modo geral, não parece ser problema para os jovens entrevistados. A maior parte dos recrutas entrevistados (92%) soube dizer que era possível ser contaminado pelo HIV fazendo sexo sem camisinha e 90% que isso pode acontecer quando se compartilha seringas. Ainda há idéias estranhas, como 4,5% que disseram ser possível a contaminação por picada de inseto e 2% acreditam que a infecção pode vir comendo alimentos mal-lavados ou tomando banho de rio.

 
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