BRASÍLIA - A revolta do funcionalismo público com o governo por falta de aumento salarial alcançou as Forças Armadas. Militares da ativa e da reserva distribuíram panfletos no Congresso reivindicando aumento e fizeram atos de protestos em Brasília condenando a falta de reajuste. A insatisfação com os baixos salários está levando cadetes da Academia Militar de Agulhas Negras (Aman) a pensar em abandonar a carreira em troca de um emprego como patrulheiro rodoviário. Na Aman formam-se os oficiais que podem chegar ao topo da carreira: o posto de general. Ontem, o Centro de Comunicação do Exército (Cecomsex) enviou confirmou que pelo menos vinte cadetes da Aman fizeram este ano o concurso para a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que oferece salário de R$ 3.765.
O motivo são mesmo os baixos salários, que deixaram de ser atrativos para os cadetes. Durante os quatro anos de academia, o cadete recebe ajuda de custo mensal de R$ 330 (1º ao 3º ano) e R$ 405 (4º ano). Quando se forma, e se torna um aspirante a oficial,passa a receber salário bruto de R$ 2.835,00. O Exército admitiu na nota que o número de cadetes que fez o concurso da Polícia Rodoviária pode ser ainda maior.
Os militares da ativa e da reserva, e seus familiares, iniciaram sem alarde as manifestações em Brasília, nas quadras onde moram. O ato de ontem foi realizado numa quadra no bairro do Cruzeiro e reuniu cabos, taifeiros e sargentos, patentes que recebem salários entre R$ 917 e R$ 1.057. Os manifestantes marcaram um grande ato para 4 de abril.
Nos panfletos, os militares afirmam que estão há quatro anos sem reajuste e lembram que a categoria não tem direito a benefícios como Fundo de Garantia, além da possibilidade de exercer outra profissão. Há cerca de dois meses, o ministro da Defesa, José Viegas, admitiu que a reivindicação dos militares eram justas e prometeu levar o pedido de reajuste ao presidente Lula.
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