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Montagem atualiza Shakespeare
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Peça ganhou linguagem mais coloquial pela cia Folias D'Arte |
Ivana Moura Enviada especial |
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CURITIBA - As vilãs Laura e Bárbara, das novelas Celebridade e Da Cor do Pecado, respectivamente, são herdeiras modernosas de Iago, o ardiloso vilão shakespereano do espetáculo Otelo, O Mouro de Veneza, que a companhia paulista Folias D'Arte exibiu segunda e terça, dentro da programação do Festival de Teatro de Curitiba. As teias da conspiração política traçadas por Iago, contra o militar africano que serve em Veneza, continuam dizendo muito sobre as extensões da maldade, da cobiça, da inveja e do rancor. Otelo, um general equilibrado, que enfrenta a elite branca de Veneza para ficar com Desdêmona, é consumido pelo ciúme. Ancorada na instalação da dúvida e no preconceito, essa tragédia ambientada no século 17 revela as temerárias relações do círculo de poder, com suas quebras de ética e moral que muito bem podem ser conferidas nos dias que correm.
A montagem dirigida por Marco Antonio Rodrigues atualiza a tragédia e critica a hegemonia americana através de muitos elementos - inclusive a trilha sonora escolhida, que inclui New York, New York e The End, do The Door-, a falta de interesse verdadeiro pelas dores alheias, a pressa e insensibilidade do mundo contemporâneo.
Em Curitiba, a peça foi exibida na Ópera de Arame, com público também no palco instalado numa desconfortável arquibancada móvel, que permitia a aproximação da platéia em algumas cenas. Dividida em dois atos e com duração de mais de três horas, Otelo ganhou linguagem mais coloquial sem trair o bardo inglês.
A atuação do trio principal foi exibida com relevo. O ator Francisco Brêtas compôs um Iago cínico, meio afetado, absolutamente convincente na sua vingança contra Otelo, porque foi preterido na promoção de soldado a tenente pelo mouro, que preferiu dar o posto a Miguel Cássio. Ailton Graça encarna um Otelo apaixonado por Desdêmona, antes de ser envenenado com as insinuações de Iago, e depois um homem descontrolado, dominado pelos sentimentos mais sórdidos, que perde a razão. Desdêmona é uma personagem difícil, que apesar de pertencer ao trio principal carece de uma atriz que lhe dê nuance e força. O que Renata Zhaneta faz com garra, elegância e beleza. Personagem secundária, Emília ganhou destaque no final da peça com a interpretação de Nani de Oliveira.
no início quanto no final da peça.
Marco Antonio Rodrigues também faz a leitura de que o general negro enviado a Chipre para uma missão política e militar é escolhido por absoluta falta de opção.
A jornalista viajou a convite da organização do Festival
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