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Remédios falsos ameaçam a saúde
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PIRATARIA |
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Tomar remédio no Brasil pode ser perigoso mesmo com receita médica. Isso porque, segundo estimativas da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), divulgadas pelo Sindicato das Farmácias de Pernambuco, cerca de 20% dos 13 mil tipos de medicamentos existentes no mercado podem estar sendo pirateados. Isso significa 2,6 mil produtos.
Os números da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o assunto também são expressivos. A entidade já chegou a receber, em um período de quatro anos, 719 notificações de medicamentos falsificados no mundo. Pelo menos 29% desse total era de antibióticos, 8% de corticóides e 4% de analgésicos. As últimas 46 notificações registradas pela OMS foram de vinte países, 60% são nações em desenvolvimento.
De acordo com o presidente do Sindicato das Farmácias de Pernambuco, José Cláudio Soares, os riscos existem, mas o perigo de se comprar um remédio pirata no Estado é menor que no resto do país. "Em grande parte, isso se deve a atuação da Vigilância Sanitária de Pernambuco", explica. De acordo com o diretor dda VS estadual, Jaime de Brito, a prioridade é a prevenção. Segundo ele, a última apreensão de remédio falsificado registrada no Estado ocorreu em 1999.
Falsificação de medicamentos é fraude classificada como crime hediondo pela legislação brasileira e está na ordem do dia de entidades como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Federação Brasileira de Indústria Farmacêntica (Febrafarma) e as Vigilâncias Sanitárias estaduais. Para discutir estes problemas e propor mecanismos de defesa em âmbito nacional, o Ministério da Saúde promove, em junho, um Fórum Nacional sobre o assunto. No evento, entidades civis e governamentais ligadas à saúde e à defesa do consumidor vão discutir um plano de ação conjunta para garantir a procedência segura e qualidade técnica exigidas pela legislação brasileira.
Mas, para o consumidor, os riscos de se tomar um remédio inócuo ou até prejudicial podem ter sérias implicações. Foi o que aconteceu com o bancário Antônio Roberto, 45 anos. Para controlar a sua pressão alta, ele tomava, por recomendação médica, o anti-hipertensivo Captopril na sua apresentação genérica. "Depois de três meses de tratamento sem notar melhoras, pedi ao médico para trocar de remédio e o efeito foi imediato", conta.
A lista de medicamentos pirateados não é curta, basta lembrar dos casos recentes do Androcur, usado para o tratamento do câncer de próstata, do Epivir, um dos componentes do coquetel anti- HIV, do anticoncepcional Microvilar e do recente recolhimento das versões falsificadas do protetor solar Sundown e do ungüento Vick Vaporub.
A partir delas, surgiram os principais mecanismos de defesa da Anvisa para coibir a fabricação, a distribuição e a venda dos medicamentos falsos ou adulterados. "Só em 1998, recebemos 172 notificações de medicamentos pirateados. Dé lá até 2004, foram somente sete", garante a gerente de Investigações do órgão, Maria da Graça Hofmeister.
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