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Vovô bom de prosa
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Lima Duarte não gosta de rir para fotos, mas não é carrancudo como Afonso, o avô rico de Da Cor do Pecado |
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Da varanda de uma mansão no Alto da Boa Vista, no Rio, Lima Duarte contempla uma paisagem verde exuberante enquanto posa para as fotos. Encantado com a beleza do lugar - cenário da casa do empresário Afonso Lambertini, seu personagem em Da Cor do Pecado - o ator acaba se lembrando de outro local que lhe é bem familiar: o sítio onde mora em Indaiatuba, a 112 Km de São Paulo. No interior, cercado pela natureza, Lima vive sozinho e quase não recebe visitas. "Não abro mão de morar no sítio. Penso nas vantagens e nas coisas boas de se viver lá", diz o ator mineiro, de 74 anos.
Lima Duarte admite que vir da cidade paulista para o Rio toda semana tem sido muito cansativo, embora as dificuldades de deslocamento não tirem sua empolgação com a novela das 19h: "O trabalho tem sido encantador, mas é muito pesado para um homem da minha idade. Estou sentindo a correria das gravações".
Na roça, seu ritmo é mais lento. O ator passa o tempo cuidando das flores e dos bichos. Diariamente, faz longas caminhadas. Enquanto anda pela estrada de terra, Lima gosta de ouvir clássicos da literatura e textos de peças ou mesmo de novelas que precisa decorar.
Uma vez por mês, o ator promove uma sessão temática de filmes. Pode assistir aos vídeos sozinho ou chamar um amigo, com quem fica de prosa e divide uma boa garrafa de vinho. Lima já dedicou um dia inteirinho a grandes filmes rodados em 1939, que considera o mais produtivo do cinema americano. "Gosto também de tirar um dia para ler".
Sua rotina só se modifica quando recebe a visita das bisnetas Maria Luíza e Ana Clara - filhas de sua neta, a atriz Paloma Duarte. Aí, Lima assume o papel de bisavô, contando causos delirantes para as meninas.
Segundo Lima, a idade o ajudou a perceber a beleza da vida. É o que ele acredita que acontecerá com o carrancudo Afonso na trama de João Emanuel Carneiro. Pela sinopse, o milionário morre no final, mas antes vai descobrir outro sentido na sua vida pelas mãos de um menino: o neto Raí (Sérgio Malheiros). "Afonso é duro, solitário e preconceituoso", diz ele. "Quando Afonso descobrir que a vida não é só dinheiro e bens materiais, será bonito. É no que acredito também".
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