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Partidos da base aliada iniciam rebelião
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PMDB, PTB, PL e PP cobram ousadia e pedem mudanças na política econômica do Governo federal |
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BRASÍLIA - Num dia delicado - marcado pelos rumores de saída do chefe da Casa Civil, José Dirceu, e pela renúncia de Miro Teixeira à liderança do Governo na Câmara - a base aliada chegou ontem à beira da implosão. Insatisfeitos, por exemplo, com a retenção de recursos para o atendimento de emendas e com o descumprimento de acordos para ocupação de cargos, PMDB, PTB, PL e PP iniciaram uma rebelião.
O motim estourou depois que o PMDB - segundo maior partido da base - divulgou uma nota na qual, cobrando mudanças na política econômica, advertiu: "O apoio que o partido dá ao Governo é subordinado a uma política que promova o crescimento, distribua renda e gere emprego".
Após uma reunião da Executiva Nacional do partido, em que os economistas Luiz Gonzaga Belluzo e Ernesto Lozardo fizeram severas críticas à condução da política econômica, o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), admitiu a hipótese de o partido deixar a base caso o Governo não adote medidas para o aquecimento da economia, como a redução da carga tributária e da taxa de juros.
Por trás da inquietação quanto aos destinos da política econômica, está uma irritação dos deputados peemedebistas, incomodados com o prestígio destinado apenas a três interlocutores no partido: o ministro Eunício Oliveira, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL).
No PP, a insatisfação era tanta que o líder do partido na Câmara, Pedro Henry (MT), foi enfático numa conversa logo pela manhã com o vice-líder do Governo Professor Luizinho. Cercado por Henry e pelo líder do PTB, José Múcio Monteiro (PE), Luizinho ouviu: "O acordo (uma reunião na casa de José Dirceu) aconteceu no dia 19 de fevereiro. Se até agora, nada, de duas, uma: ou o presidente não quer atender ou não pode", queixou-se Pedro Henry.
O líder se referia à conversa na qual Dirceu teria se comprometido com a nomeação de indicados do partido para a Embrapa, uma diretoria dos Correios e um cargo na área de Saúde. Para o PTB, há dois meses, as promessas pendentes são a presidência da Eletronorte, um cargo agência de vigilância sanitária e duas promoções, uma no DNIT e outra nos Correios.
No PL, estão entre os acertos desrespeitados uma diretoria da Caixa Econômica Federal, uma do Banco do Brasil e uma da Petrobras. Não é só. A dificuldade de acesso aos ministros e a falta de interlocução também são alvo de queixas. "Está faltando um interlocutor, os ministros não atendem, como se o Parlamento não fosse necessário. A insatisfação é grande", disse José Múcio.
Para o presidente do PP, Pedro Corrêa (PE), um das causas de apreensão na base é a morosidade não só no atendimento das emendas de parlamentares como na execução do orçamento em si. Logo na manhã de ontem, o Governo se surpreendeu com as declarações do ex-governador Orestes Quércia. Aliado de primeira hora, Quercia, disse na reunião da executiva que o Governo está com medo de ousar para assegurar o crescimento.
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