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Edição de Quinta-Feira, 25 de Março de 2004 
Política | Presidente Lula admite nova reforma ministerial
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POLÍTICA
Presidente Lula admite nova reforma ministerial
Governo vive pior momento desde o início do caso Waldomiro Diniz
BRASÍLIA - Em seu pior momento desde a crise deflagrada pelo caso Waldomiro Diniz, o presidente Lula, segundo aliados próximos, já planeja uma nova reforma ministerial para tirar a administração da paralisia e retomar o funcionamento da máquina. O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, nunca esteve tão enfraquecido e sua permanência no governo é assunto freqüente até entre seus colegas, no Palácio do Planalto. Ontem, em mais um dia nervoso, Dirceu negou várias vezes que tivesse posto novamente o cargo à disposição. Ministros chegaram a telefonar para a Casa Civil para saber se o boato era verdadeiro. "O que eu posso fazer se falam isso?", dizia ele a quem entrava em seu gabinete e perguntava sobre o assunto. "Eu não posso fazer nada."

  Na tentativa de tirar o governo do imobilismo e ajudar Dirceu a assumir a tarefa de gerente do Governo, o presidente Lula deve criar o Ministério da Administração. Trata-se de um antigo plano de Lula: desde os tempos da transição, em 2002, fala-se no desmembramento do Ministério do Planejamento do Orçamento e Gestão. Com a crise, a idéia ganhou força. Um dos nomes citados para a pasta é justamente o de Miriam Belchior, braço direito de Dirceu, que ocupa a Subchefia de Monitoramento e Avaliação da Casa Civil.

  Lula também quer criar o Ministério do Desenvolvimento para dar um chacoalhão no Governo. Na prática, pretende separar o Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior, atualmente comandado por Luiz Fernando Furlan. Não fará nada, no entanto, sem o aval de Furlan.   Para dar agilidade à máquina, o Planalto também vai criar a Câmara de Política de Desenvolvimento. Hoje, existem dez câmaras, mas três delas (Reforma do Estado, Política Cultural e Integração e Desenvolvimento Regional) não saíram do papel.

  Além disso, em mais um esforço para se recuperar, Dirceu fará uma espécie de "Governo itinerante", com visitas a colegas de ministérios, para monitorar os programas prioritários da administração. Apesar de passar o dia sendo bombardeado no Congresso e alvo da rede deintrigas que tomou conta de Brasília, Dirceu cumpriu a agenda prevista. Os rumores foram tantos que à noite a Secretaria de Comunicação do Governo desmentiu oficialmente o boato de que Luiz Gushiken assumiria a Casa Civil.

  Dirceu esteve com Lula várias vezes, ao longo do dia. De manhã, quando os boatos de sua saída do cargo começaram a tomar corpo, ele comandava a reunião da Câmara de Política Econômica. "Estou trabalhando normalmente", garantiu a um amigo que lhe procurou.

Pedido - O presidente Lula pediu "solidariedade para o País", ontem à noite, ao participar, na sede da Funarte, da abertura do Ano Ibero-Americano da Pessoa com Deficiência. O presidente pediu que os governantes compreendam "o mundo como ele é" e entendam que as coisas não acontecem "na ocasião e com a rapidez" que pretendem.
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