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Edição de Quarta-Feira, 24 de Março de 2004 
Vida Urbana | Operação-padrão de volta ao Guararapes
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VIDA URBANA
Operação-padrão de volta ao Guararapes
Horário do vôo internacional atrasou em uma hora
A greve dos policiais federais completou, ontem. 15 dias. Depois de dar uma trégua ao Governo federal, suspendendo na semana passada a Operação-Padrão, mais conhecida como Tartaruga, nos aeroportos e portos do País, comando de greve, em Brasília, determinou um endurecimento do movimento, adotando novas estratégias de ação. No Recife, os agentes federais no Aeroporto Internacional dos Guararapes iniciaram, na tarde de ontem, as revistas nos vôos domésticos.

  Maior desconforto foi para os passageiros de vôos internacionais. Os passageiros do vôo 1503, com destino a Lisboa, sofreram com a operação. A aeronave da TAP que deveria partir às 20h45 decolou às 22h. Os federais autorizavam o acesso por grupo de dez pessoas para a verificação dos documentos e bagagens de mão. É o caso da estudante Geovanna Pessoa, que já estava a 40 minutos a espera do acesso ao salão de embarque. Ela disse ter ficado mais chateada, porque os agentes tratam os brasileiros igualmente aos estrangeiros, quando por lei existe a prioridade. Ela revelou ter sofrido a mesma maçada quando chegou de Paris, a semana passada.

  A operação surpreendeu os passageiros que foram embarcar à tarde de ontem. Embora a revista realizada pelos agentes na entrada do saguão de embarque não tenha atrapalhado o trânsito. As filas correram tranqüilamente, sem transtornos. Alguns até apoiaram o movimento e lamentaram a falta de fiscalização mais rigorosa nos aeroportos do País. "Essa operação deveria ser uma rotina e não feita apenas agora porque a Polícia Federal deflagrou uma greve nacional", disse o funcionário público Francisco Jardim, 47 anos, que seguia viagem para o Rio de Janeiro.

  Os policiais federais argumentam que o Governo está desrespeitando a Lei 9.266/96, que instituiu obrigatoriedade de curso superior para ingresso na instituição, a partir de 1996. Agentes, escrivães e papiloscopistas alegam que, apesar de terem curso superior, continuam recebendo seus vencimentos como se fossem de nível médio. Cerca de sete mil dos mais de oito mil policiais federais do País requerem a mudança.

  De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Federais de Pernambuco (Sindpef), Roberto José Fernandes, um policial em início de carreira ganha atualmente R$ 2,7 mil, salário líquido, enquanto que, deveria receber R$ 4,9 mil. "Os salários estão em desacordo com o que diz a lei", acrescentou. A PF de Pernambuco tem hoje 328 agentes, escrivães e papiloscopistas. Apenas 30% do efetivo da superintendência regional - delegados, peritos, funcionários administrativos e estagiários - estão trabalhando.

  O vice-presidente do Sindpef, Rubem Freitas, comentou que a fiscalização será intensificada nos vôos internacionais. Diariamente, às 19h45 chega ao Recife o vôo 1502 da TAP. Há um vôo da Varig às 14h que vem de Buenos Aires, Argentina. "Vamos fazer uma revista mais minuciosa", ressaltou. Segundo Freitas, a operação está afetando mais os aeroportos do Rio de Janeiro e São Paulo, que têm um fluxo maior de vôos internacionais.

 
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