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Edição de Quarta-Feira, 24 de Março de 2004 
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Opinião
Opinião
Água até 2005

Os meios de comunicação costumam prodigalizar largos espaços à tragédia, mas, são costumeiramente avaros na informação sobre as mil formas que assume a felicidade humana. Não se tem, disponível, a explicação incontroversa para o comportamento. Mas, é desta maneira que agem e funcionam os meios de comunicação.

  Ainda há pouco, jornais, rádios e televisões não se cansavam de veicular a breve e apocalíptica ruptura do sistema de Paulo Afonso, graças à exaustão dos respectivos mananciais. A população nordestina foi submetida, semanas a fio, ao bombardeio de notícias ruins sobre a probabilidade de um hipotético contingenciamento da oferta de luz e força. O Operador do Sistema Elétrico Nacional, divulgou-se então, estava a adotar providências para a entrada em operações de usinas térmicas de pequena potência disseminadas em pontos estratégicos da Região. Daí foi um passo apenas para a edição de verdadeira novela, em que se prenunciavam aumentos no preço da energia elétrica domiciliar e industrial. Choviam queixasde todos os lados sobre a incapacidade de o homem nordestino pagar o adicional tarifário alusivo ao fornecimento de energia elétrica termo-gerada. Ouviram-se teorizações sobre o reflexo do aumento do custo-Nordeste e custo-Brasil das exportações.

  Não se sabe de alguém que haja estudado a fundo a contribuição desta conduta jornalística na formação do pessimismo coletivo regional. O estudo se faz mister. Claro que rádios, jornais e televisões têm o direito de vaticinar, da mesma forma que têm o dever de veicular os acontecimentos. Não reside aqui o defeito do processo informativo, ele está na dosimetria dos espaços que se podem atribuir aos eventos danosos e aos sucessos construtivos.

  Bom exemplo disto de que falamos é a questão do volume d'água acumulada em nossos principais reservatórios. Não foi mentirosa, foi na realidade verdadeira a informação de alguns meses atrás de que era crítico o nível da água em Sobradinho, Itaparica e demais barragens do sistema de Paulo Afonso. É verdade igualmente que o eventual racionamento de energia elétrica na Região é pouco menos que uma catástrofe. Mas, voltamos a dizer, é tudo uma questão de equilíbrio entre as boas novas e as notícias desfavoráveis.

  Agora mesmo, o DIARIO noticiou sem festejos que o nível das águas nos reservatórios sanfranciscanos é o maior em três anos. Dá-se a hipótese, diz o jornal, de que o nível atual venha a subir para os 80% da capacidade de acumulação. De fato, o volume útil d'água, no momento em que este editorial é redigido, é de 20,9 bilhões de metros cúbicos na grande barragem de Sobradinho, equivalente a 73% da capacidade total do reservatório, enquanto a capacidade d'água armazenada em Itaparica soma 2,2 bilhões de metros cúbicos, coisa de 63% da capacidade plena do reservatório em apreço. A barragem de Três Marias, em Minas Gerais, a qual supre Sobradinho, dispõe, hoje, de 11,3 milhões de metros cúbicos (equivalentes a 74% do respectivo volume útil).

  Falando de modo o mais inteligível, os números agora atualizados são capazes de livrara Região do espectro do racionamento até o final de 2005, ou seja, temos água para gerar energia elétrica por quase dois anos completos. O fato merece não só o alargamento do espaço jornalístico, merece ruidosa comemoração em ato público mui especial, com direito a fanfarras e tudo mais.


O BNDES está certo

Hindenburgo Pereira Diniz
PRESIDENTE DO CONSELHO CONSULTIVO DO CONDOMÍNIO DOS ASSOCIADOS

Somos sócios do FMI, desde sua primeira hora, quando se decidiu constituí-lo com o objetivo principal de equilibrar as relações financeiras entre os Estados que se uniam para sua criação e existência, em Bretton Woods, New Hampshire, EUA, em julho de 1944. Aproximadamente, um ano antes do término da Segunda Guerra Mundial. Nada mais natural, portanto, do que nos valermos de sua assistência, quando nossa conjuntura exige.

  Aconteceu, no correr do tempo, que o FMI julgou legítima e indispensável sua interferência no desenho e na mecânica de instituições políticas dos seus associados dependentes de ajuda. Com o apoio dos principais patrocinadores, EUA e alguns países europeus, começou a aprofundar esse tipo de intromissão na vida institucional de sócios carentes do seu socorro. Houve reações, mas afinal predominou a tolerância.

  Entre nós, anotam-se exemplos nos pólos opostos: enquanto Juscelino Kubitschek repeliu sua presença na mesa que encaminhava soluções financeiras para algumas de suas metas, incluindoBrasília, Fernando Henrique Cardoso aceitou que até investimentos em infra-estrutura fossem considerados como despesas na contabilização do déficit público. Um absurdo contra nossos interesses legítimos de desenvolvimento e até contra a diferenciação natural entre dispêndio e investimento. Em conseqüência, aceitamos registrar o que pagamos para construir uma hidrelétrica, uma central de telecomunicações ou pavimentar estradas, no mesmo quadro negativo reservado à identificação dos desembolsos destinados a resgatar obrigações com a amortização e os serviços de dívidas e todas as despesas de responsabilidade do Tesouro. Fazendo justiça, devo lembrar que José Serra foi crítico permanente dessa circunstância artificial, contra a qual o presidente Lula já tomou posição.

  As atitudes do FMI comprovam que tende a ignorar profundos exemplos de estado de necessidade nas Nações submetidas à sua disciplina, para exigir tempestividade absoluta no pagamento de obrigações monetárias. Sobre os dramas locais de caráter sócio-econômico, prioriza sempre esses compromissos com a estrutura bancária, com destaque para o segmento internacional. Deixou, portanto de ser instrumento neutro de equilíbrio financeiro, transformando-se em agente comprometido com as conveniências dos mutuantes privados.

  Para ele (FMI), nas transações financeiras o aforismo "pacta sunt survanda" (os pactos devem ser observados) é sempre absoluto, sem permitir argumentos da teoria da imprevisão ; de considerações que deram origem à cláusula "rebus sic stantibus".

  Agora, noutra demonstração ostensiva de que não tem a menor preocupação com o desenvolvimento econômico-social do Brasil, saiu-se com protesto impertinente e contrário à realidade dos fatos. Reclama da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) do BNDES, sob o fundamento de que constitui subsídio, fazendo forte concorrência aos bancos privados do País. Hoje, a TJLP do BNDES (única fonte interna de empréstimos de longo prazo para investimento industrial e de infra-estrutura) é de 10% ao ano, portanto acima da inflação. E não tem sido suficientemente atrativa para elevar a fraca demanda por novos financiamentos industriais. Por isso, a direção do BNDES já solicitou às autoridades financeiras federais licença a fim de reduzi-la para 9%, a partir de abril.

  Carlos Lessa, atual presidente do Banco, que vem demonstrando permanente preocupação com a função fomento, principal objetivo do BNDES, já fez o comentário que devia. Fica com as autoridades financeiras federais a solução. É bom porque também serve para esclarecer certas dúvidas.

n e-mail: hcpd@uai.com.br


A humanidade de luto

Luciano Pereira de Carvalho
ADVOGADO

O insano terrorismo internacional, fixado nas trevas da intolerância religiosa atuando com as teologias da fúria, do ressentimento e da vingança provoca na Espanha, mais um dia de horror vivido por toda a humanidade. Os fundamentalistas, autênticos meliantes fantasiados de heróis islâmicos, detectam conspiração em toda à parte e agem com se estivessem possuídos por uma fúria demoníaca.

  Com o advento do Século XXI, a humanidade sonhou com uma sociedade menos egoísta, mais tolerante e até com menor índice de fundamentalismo religioso, onde a idéia de "guerra santa" provocada insensatamente por dogmas e argumentos de teologia ou aliança entre o poder civil e o altar, cedesse lugar à razão e ao entendimento entre o Oriente e o Ocidente. Mas esse impiedoso massacre de pessoas inocentes praticado em nome de Deus é a constatação de que o sentimento de fraternidade ainda não foi substituído pelo fanatismo religioso notadamente o islâmico.

  Mas, nós cristãos, em tempos idos, também perseguimos e assassinamos muitos de nossos irmãos, igualmente cristãos, derramando sangue e acendendo fogueiras e, destruindo cidades, com o crucifixo e a Bíblia na mão. E é por isso que se diz com ênfase nos dias de hoje que as futuras guerras entre os povos terão como pano de fundo a intolerância religiosa. E o grande perigo a que está sujeita a humanidade é que, enquanto as descobertas cientificas das ultimas décadas, benéficas à população mundial são suplantadas, em muito, pelo arsenal e aparato bélico, onde foguetes intercontinentais têm a precisão de um bisturi elétrico. ]

  Voltaire, no seu "Tratado Sobre a Tolerância" (de 1739), transmite-nos essa Oração a Deus: "Não é mais aos homens que me dirijo, é a ti, de todos os seres, de todos os mundos e de todos os tempos. Se é permitido a frágeis criaturas perdidas na imensidão e imperceptíveis ao resto do universo, ousar te pedir alguma coisa, a ti que tudo criaste, a ti cujos decretos são imutáveis e eternos, digna-te olhar com piedade os erros decorrentes de nossa natureza. Que esseserros não venham a ser nossas calamidades. Não nos deste um coração para nos odiarmos e mãos para nos matarmos. Faz com que nos ajudemos mutuamente a suportar o fardo de uma vida difícil e passageira; que as pequenas diferenças entre as roupas que cobrem nossos corpos diminutos, entre nossas linguagens insuficientes, entre nossos costumes ridículos, entre nossas leis imperfeitas, entre nossas opiniões insensatas, entre nossas condições tão desproporcionadas a nossos olhos e tão iguais diante de ti; que todas essas pequenas nuances que distinguem os átomos chamados homens não sejam sinais de ódio e perseguição; que os que acendem velas em pleno meio-dia para te celebrar suportem os que se contentam com a luz de teu sol; que os que cobrem suas vestes com linho branco para dizer que devemos te amar não detestem os que dizem a mesma coisa sob um manto de lã negra; que seja igual te adorar num jargão formado de uma antiga língua, ou num jargão mais novo. Finalmente, se os flagelos da guerra são inevitáveis, não nos odiemos, não nos dilaceremos uns aos outros em tempos de paz".


Ventos do fim dos tempos

Rivaldo Paiva
ESCRITOR

Algum tempo está por terminar para muitos povos. Acredito até que o anticristo já dá ordens a seus súditos mais frios e audaciosos. De todos os ares chovem sangrentas bombas com todos os nomes terríveis que se queiram batizar.

  O terrorismo de hoje move montanhas. Não é mais uma época da revolução Francesa, da queda dos girondinos em 1793 até a queda de Robespierre em 1794 - com datas curtas e nunca marcadas. Não é o terror branco, com os excessos perpetrados pelos realistas no Sul da França durante os primeiros anos da restauração. É o terrorismo provocativo e reativo. É o modo de coagir, ameaçar ou influenciar pessoas ou impor-lhes a vontade - uma forma política violenta de impor seu poderio econômico e bélico. Acabou-se aquela história de pura luta étnica ou religiosa - o domínio pela força insana e brutal. A maldade está configurada em ambas as partes preliantes.

  Em negras nuanças lúgubres e aziagas, /vejo terribilíssimas adagas /atravessando os ares bruscamente - anteviu Augusto dos Anjos. Assim o Mundo assiste extasiado um fim dos seus tempos. Os ventos que sopram no Oriente Médio são ventos do mal - são ventos mórbidos de um Ariel Sharon. Os bons judeus, aliás, a grande maioria dos israelenses, gente sofrida por isso de boa índole, já deveria tê-lo derrubado do poder, assim como os norte-americanos deverão agir nas próximas eleições execrando pelo voto livre o ridículo do Bush, ambos apodrecendo de maldades, tais foram eliminados da vida pública Hitler e Mussolini, Stalin, Mao e o quinto cavaleiro.

  É véro que tanto o todo poderoso de Shatila está unha e carne com o anticristo quanto o megalomaníaco texano que, expõe todas as patadas em pauta, pondo a paz da Terra em progressivo perigo. Não crêem em Deus nem acreditam em Jesus Cristo. Isso é muito ruim. Ninguém pode achar que viverá para sempre sem acreditar no Ente supremo.

  Por outro lado, os árabes e palestinos, xiitas, sunitas, curdos, com todo fundamentalismo, não podem se dar ao luxo de se tornarem artefatos humanos, destruindo vidas inocentespelo Mundo afora em nome de Alá - seu Deus.

  Se Bin Ladens, Arafats, Aiatolás, iraquianos e outros lutam contra os Estados Unidos e Israel e aliados que os enfrentem em frentes de lideranças e não ceifando vidas de civis - gente que vai morrer até de velhice, sem no entanto ter a alegria de viver alguns poucos anos felizes com suas famílias.

  Para que servem as Nações Unidas? Bush não liga para ela, tampouco Sharon, nem Blair, que também não estão nem aí para Chirac, Shoereder, sequer para chineses, japoneses e coreanos. Por incrível que pareça, somente a Rússia e seus vizinhos ainda impõem um pouco de respeito pelas ogivas que ainda guardam nos subterrâneos da Sibéria e nos fundos do Mar Báltico.

  Olhem, minha gente, no dia em que o Paquistão der na telha uma cabeçada, a Índia acordar com dor de barriga e o homenzinho de cabelo em pé da Coréia do Norte tiver uma unha encravada, torrões de terras se estenderão pelos mares, nada se entenderá no planeta, este virará uma crosta seca e o silêncio o dominará.  Não mais teremos rezas em mesquitas - Meca será destruída, o Vaticano tornar-se-á o túmulo do ecumenismo, os Estados Unidos voltarão à Lei Seca, Israel terá um novo exodus para ser explorado, o solo da Europa será um tapete de escombros, o Oriente Médio virará um mar negro de petróleo espalhado em chamas, e quem for cauteloso arrume seus teréns e corra pra cá.

  Brasil é Brasil. País do futuro (viva para sempre, Zweig), dos empregos prometidos por Lula e da seriedade, apesar dos Waldomiros do Dirceu. Vem pra cá você também... Vem!


Ainda a Universidade

Ary Avellar Diniz
DIRETOR-GERAL DO COLÉGIO E DA FACULDADE BOA VIAGEM

Ultimamente, a Imprensa tem veiculado, enfaticamente, notícias concernentes à universidade, por ser um assunto discutido amiúde pelos dirigentes educacionais do país.

  O processo de aprendizagem em todos os níveis demanda um acompanhamento freqüente do Governo, em razão da dinâmica peculiar e da necessidade de constantes inovações. Para se ter uma idéia desse vertiginoso processo, leve-se em consideração que o gigantesco desenvolvimento técnico-científico mundial da última metade do século superou o crescimento constatado ao longo de toda a história da humanidade.

  A rede particular de ensino tem acompanhado essa evolução sem medir esforços ao desempenho de seu papel, o que a faz atingir índices satisfatórios no contexto educacional do país.

  Nesse contexto, um questionamento que se deve fazer inicialmente é que seria do ensino superior do Brasil sem a atuação da Escola Particular, no aspecto específico de aprovações em vestibulares públicos ou privados? Do total de aprovados, 77,1% são oriundos da iniciativa educacional privada.

  E não param aí os subsídios da Escola Particular, ressaltando-se o provimento abundante do mercado de pessoal qualificado, que supre da educação básica à educação superior e à pós-graduação, em cujo contexto se destacam os professores universitários, que atingiram mais auspiciosas condições profissionais e melhor qualidade de vida graças à abertura de novas escolas.

  É premente a necessidade de mais vagas no ensino superior, uma vez que, no Brasil, somente 0,83% tem acesso às universidades, enquanto que, na Argentina, o percentual é de 3,44%, no Uruguai é de 2,95%, na Venezuela de 2,81% e em Cuba de 1,8%. Nos países do Primeiro Mundo, os índices são bem mais significativos, já que nos EUA o percentual é de 4,8% e no Reino Unido é de 3,47% (todos esses dados têm como fonte o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep), Unesco e consulados dos países mencionados)...

  Comungando com a preocupação do sr. ministro da Educação, vale ressaltar que é grande a proliferação de instituições superiores particulares no Brasil, fazendo-se premente a criação de rígidos critérios que orientem a autorização de funcionamento de tais cursos, assim como uma avaliação periódica deles, pois se trata de grave irresponsabilidade da instituição de ensino superior lançar jovens incompetentes no mercado de trabalho.

  Outro assunto relevante, e no âmbito do qual existem as opiniões divergentes, é a tomada de decisão quanto ao pagamento das mensalidades escolares no ensino público superior. Por que alunos mais favorecidos economicamente, em sua grande maioria provenientes da Escola Particular, não compensam parte dos custos financeiros da universidade?

  A solução parece ser simples, porém temerosa; mas mais temeroso é manter as contínuas paralisações, frutos de reivindicações salariais, fato inconteste que acarreta desmotivações no corpo docente e faz periclitar o bom nome da Universidade Brasileira, criada com tantas expectativas de se chegar a um Brasil melhor.

  A educação ainda é o melhor caminho àtranqüilidade de um povo. Um país culto é um país liberto, soberano e, conseqüentemente, capaz de proporcionar mais segurança aos seus cidadãos.

 
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