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Edição de Sexta-Feira, 19 de Março de 2004 
Vida Urbana | Comerciante autuado por crime
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VIDA URBANA
Comerciante autuado por crime
CÁRCERE PRIVADO
Um telefonema anônimo pôs fim ontem aos 10 anos que a dona de casa pernambucana Rita de Cássia Araújo do Nascimento, 30 anos, considera o pior período de sua vida. A delegacia de Cavaleiro, em Jaboatão, deteve pela manhã o comerciante Luiz Francisco do Nascimento, 56, marido de Rita, sob a acusação de mantê-la em cárcere privado na residência do casal, no Curado II. A Polícia chegou ao local e encontrou Rita trancada. Socorrida e encaminhada para exames, Rita confirmou a acusação, dizendo também ser espancada e dopada por Nascimento, que, apesar de negar tudo, foi autuado em flagrante.

  Segundo a delegada titular de Cavaleiro, Margareth Galdino, que comandou a operação, Nascimento estava na pequena sapataria que mantém no térreo de sua residência. "Quando perguntamos por Rita, ele ficou meio desconfiado, mas abriu a porta da frente da casa, no primeiro andar. Ela estava sentada em um canto, mas conversou comigo e disse que queria ir embora", descreveu a delegada, que deveria encaminhar o acusado ao Cotel,em Paulista. "Depois da operação, recebemos nove telefonemas de vizinhos dizendo que ele era violento".

  No local, foram apreendidos uma caixa de sapatos contendo cartelas de comprimidos, que, segundo Rita, o marido a obrigava. Segundo Rita, ele a espancava desde o início do casamento, há 10 anos, o que teria resultado em uma fratura no braço direito, há quatro anos, além de uma ferida na perna e marcas na cabeça. A filha do casal, de cinco anos, está com uma vizinha.

  Nascimento negou tudo. "Comprei esses remédios porque foram receitados pelo médico, para tratar a depressão que ela teve depois do parto. O braço ela quebrou quando subiu na lage. Fui lá para puxar e nós dois caímos", disse, ainda na delegacia. "A gente vivia bem, como um casal normal. Tenho a consciência limpa de que nunca fiz nada disso. Quem disse essas coisas, está mentindo, mas não sei o porquê".

  Rita se dizia aliviada com a prisão do marido. "Ele só me deixava sair de casa no fim de semana, entregava minha filha para a vizinha e só devolvia de noite e não colocava comida dentro de casa". Os vizinhos recusaram-se a comentar o comportamento do casal. O único a dar detalhes foi o aposentado Elmo Pedrosa dos Santos, em cuja casa está abrigada a filha dos dois. "Luiz é um cara trabalhador e honesto. Se bate na mulher, eu não sei. Mas a história de cárcere privado é mentira. Ela sai de casa, vai buscar a menina na escola e tudo mais".

 
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