SÃO TOMÉ (Paraná) - O corpo do mestre-de-obras Sérgio dos Santos Silva, de 28 anos, foi sepultado ontem em São Tomé, a cerca de 550 quilômetros de Curitiba. Ele é o único brasileiro morto nos atentados terroristas a estações de trem em Madri, no último dia 11. Pelo menos 500 pessoas acompanharam o enterro e homenagearam o amigo com palmas. Com ponto facultativo, lojas fecharam e várias crianças com uniformes escolares estiveram no cemitério. O velório foi um dos que mais comoveram o município, que tem pouco mais de 5 mil habitantes. Durante toda a noite, a capela mortuária recebeu os amigos e familiares do jovem.
Silva deixou a mulher e o filho de quatro anos em 27 de setembro do ano passado, com a expectativa de conseguir, no prazo de um ano, juntar dinheiro para comprar uma casa e, talvez um carro. Foi influenciado por amigos de sua igreja, a Congregação Cristã do Brasil, que já tinham ido antes. Ele ganhava R$ 350,00 no emprego em São Tomé. Segundo a família, na Espanha, com a recente promoção a mestre-de-obras, mesmo vivendo na ilegalidade, recebia o equivalente a R$ 2,7 mil.
Embora ainda sem ânimo para pensar no assunto, a possibilidade de conseguir uma indenização do governo espanhol começa a ser pensada. O amigo de Sérgio, José Aparecido Magalhães Corrêa, que acompanhou o corpo, trouxe toda a documentação para que a família possa dar entrada no pedido. O prefeito de São Tomé, Arlei Hernandes de Biazzi, disse que, em viagem a Curitiba, deve conversar com o Consulado da Espanha. O valor seria de 50 mil euros por parte do governo, mas poderia chegar a 200 mil euros, em razão de outros seguros.
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