Os transtornos alimentares são definidos como desvios do comportamento que podem levar ao emagrecimento extremo ou à obesidade. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) não tem uma estatística desses distúrbios no País e se baseia em dados dos Estados Unidos. Cerca de 4% das mulheres jovens americanas sofrem de algum desses distúrbios. Os fatores que influenciam são biológicos, psicológicos e ambientais. "O sucesso é diretamente associado à beleza e isso provoca uma pressão muito grande, principalmente nos adolescentes que querem ser aceitos pelo grupo a que pertencem", explicou a pediatra Maria Tereza Sauer, membro do Departamento Científico da SBP.
Preocupados com a segurança dos filhos, os pais ficam mais tranqüilos com crianças e adolescentes trancados dentro de casa, em frente ao computador ou da televisão. Essas duas atividades - ambas sedentárias - costumam ser acompanhadas por doces, salgadinhos, sanduíches e refrigerantes, alimentos ricos em caloria e pobres em nutrientes. Em vez de adotar hábitos saudáveis na alimentação e se envolver na prática de atividades físicas, o jovem fica ansioso, come mais e se mexe menos. É também com a família que o adolescente aprende estilos de vida - o modo como se alimenta e o hábito de cultivar ou não uma atividade esportiva.
FATOR - A alimentação influencia o peso do corpo, mas o sedentarismo é um fator de risco mais importante ainda para a obesidade, explica a endocrinologista, Elci Falcão, chefe do setor de endocrinologia pediátrica do Hospital da Restauração (HR) e do Hospital das Clínicas (HC). Por dia, são atendidas no HR cerca de 30 a 40 crianças e adolescentes obesos. "O nosso trabalho é de reeducação alimentar, não existe uma dieta rígida e, em geral, acaba envolvendo toda a família", explica.
A reeducação alimentar tem conseguido resolver 50% dos casos atendidos no HR. "É um trabalho lento, mas temos resultados satisfatórios", diz Falcão. Além desses dois hospitais, o tratamento de transtornos alimentares em crianças e adolescentes também é feito no Recife no Instituto Materno Infantil (Imip), no Hospital Agamenon Magalhães, através do Grupo Assistencial Multidisciplinar do Adolescente (Gama) e no Hospital Otávio de Freitas.
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