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Concurso de frevo não oxigena mercado
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Entraves financeiros e operacionais comprometem potencial do evento e afetam logística pré-carnavalesca |
Michelle de Assumpção Da equipe do DIARIO |
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Existe no Recife, apesar de poucos terem conhecimento, uma boa produção de frevos para serem executados no Carnaval. O fato contraria a opinião quase generalizada de que não há renovação do ritmo e que, todo Carnaval, só se ouve as mesmas canções, dos mesmos compositores. A prova de que não é bem assim está no Concurso de Música Carnavalesca de Pernambuco, promovido pela Prefeitura do Recife, que este ano acontece sexta e sábado, no Pátio de São Pedro. No passado, já foi chamado de Frevança, Recifrevoé e Recifrevo. É um evento clássico do Carnaval do Recife, porém desvalorizado e realizado unicamente com recursos municipais, o que impede que seus compositores sejam lançados no mercado e suas músicas consumidas como qualquer outra que, por conta de uma boa divulgação, facilmente transforma-se em hit do Carnaval.
Do Concurso Carnavalesco, todos os anos, é feito um disco com as doze melhores músicas. Os CDs, no entanto, não são comercializados. As novas músicas ficam restritas às casas dos amigos dos compositores. Cada um recebe cerca de quinze cópias do trabalho e essa é a única destinação do trabalho. A matriz fica na Secretaria de Cultura do Recife, que argumenta não poder ceder um patrimônio público a qualquer iniciativa privada que dela queira fazer uso. O secretário de Cultura, Roberto Peixe, concorda, no entanto, que a Prefeitura não pode agir com relação à gerência do produto desse concurso, que é o CD.
"Nós não temos esse papel de divulgador, isso cabe à iniciativa privada, os compositores não podem ficar restritos a esse tipo de concurso", diz Peixe. O diretor do departamento de Música da PCR, Zé da Flauta, concorda que o concurso é uma forma permanente de renovação do frevo, mas que não é explorado como deveria. Segundo ele, o entrave maior é financeiro. Para se ter uma idéia, nesse momento, está sendo prensado o disco do concurso de 2002, ainda chamado Recifrevo, que só aconteceu em janeiro de 2003. O festival deste ano deveria ter acontecido em agosto passado, mas a falta de dinheiro atrasou etapas, até resultar num atraso até certo ponto, absurdo. Se o CD do Concurso de Carnaval só sai depois do Carnaval, quem irá querer comprá-lo?
"O festival custa em torno de R$ 80 mil, isso inclui inscrições, seleção, ensaios, eliminatórias, arranjadores, músicos da orquestra, coral e disco com prensagem. É barato para tudo isso, mesmo assim, enfrentamos esse problema financeiro", diz Zé da Flauta. A falta de incentivos e divulgação não parecem afugentar os compositores. Segundo Adelmo Apolônio, regente da orquestra do Concurso, poderia haver parceria com alguma rádio, mas não há. As partituras com os frevos são distribuídas com as freviocas, para serem executadas no Carnaval, e só. Depois, junto com as outras canções ficam arquivadas no 15º andar da Prefeitura, à disposição de quem quiser usá-las. Quem sabia disso?
O Concurso de Música Carnavalesca de Pernambuco, apesar da pouca credibilidade, é um celeiro de boas produções. E revoluções. O compositor Bruno Simpson, por exemplo, vai apresentar um macaratu com guitarras, teclados, violas e alfaias. Diário de Nassau, segundo ele, é uma forma de popularizar e levar o ritmo ao gosto dos jovens. O festival agrega outros compositores veteranos, como Luiz Guimarães, José Possidônio, Osvaldo Gonçalves e Samuel Valente.
Os veteranos são pouco conhecidos ou mesmo totalmente anônimos. O que importa, na verdade, é que todos têm uma história sincera com a composição de frevos e maracatus, gênero que o festival também contempla. Agamenon Dias, por exemplo, foi inscrito pelo amigo Ívano, cantor do Recife. Estava morando há 12 anos na Alemanha, trabalhando com arte-educação. Vai interpretar, de sua autoria, o Maracatu Para Todos.
Jairo Moreno, que há 40 anos trabalha na noite, também conseguiu essa senha para a autoralidade. Classificou Amor de Carnaval. "Antes eu nunca acreditava em festivais, este ano, vamos ver", diz ele. Quem sabe o festival não pudesse ser também uma porta para revelação de outros compositores e cantores, como Parrô, que sempre fez maracatus, frevose chorinhos, e dessa vez aposta no Maracatusamba, união dos dois ritmos.
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