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Funcultura impõe restrições à captação
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Quando abriu as inscrições para o Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura, no fim de janeiro, o Governo do Estado anunciou também novos limites máximos para captação por área cultural, delimitando tetos de recursos para cada tipo de projeto. A medida pode afetar as finanças de importantes eventos e espaços culturais, como o Abril Pro Rock e o Teatro Armazém. A modificação, entretanto, foi decidida pela comissão deliberativa que selecionou os projetos no ano passado a partir do que foi constatado na última seleção e de consultas à classe artística.
No caso da área de artes cênicas, por exemplo, as limitações privilegiam novas montagens inéditas em detrimento de festivais, espaços culturais ou espetáculos já existentes. Segundo o diretor de gestão do Funcultura, mudanças como essa objetivam o estímulo a novas produções (o que representa uma renovação da cena teatral local) e são uma síntese do que foi discutido durante 2003. Ele lembra que a maioria dos eventos que supostamente se prejudicariam com essa imposição (os de grande porte) já recebem patrocínio direto do Governo do Estado, podendo compensar a possível perda.
O festival de cinema Cine PE, por exemplo, agora só pode captar R$ 50 mil (R$ 200 mil a menos do que costumava reinvindicar), por se enquadrar na categoria de "formação de platéia". Alfredo Bertini, diretor do evento, no entanto, conta com o patrocínio direto do Governo e não vê como um problema a diminuição, já que os recursos do Fundo, segundo ele, não corresponderiam a uma quantia representativa dentro do montante investido no festival, orçado em mais de R$ 1 milhão.
Sem patrocínio direto do Governo, o Teatro Armazém, dirigido por Paula de Renor, pôde captar R$ 100 mil no ano passado, mas agora terá de se contentar com um limite de R$ 50 mil. A produtora diz que respeita a mudança, pois ela foi discutida junto às entidades representativas dos artistas, mas confessa estar decepcionada: "Para o Armazém foi péssimo. Eu mesma briguei pelo fundo, mas acabei me prejudicando, pois não posso mais ter o apoio da TIM e agora ainda tenho que reduzir as verbas. A função do Armazém é dar força e continuidade aos espetáculo, o que é importantíssimo."
Paulo André Pires, diretor do Abril Pro Rock, lamenta qualquer tipo de dificuldade para a captação de verbas para o festival, pois o ideal é que o evento dependa cada vez menos da bilheteria para manter a qualidade artística e evitar concessões comerciais na programação. Ele pretende tentar compensar a limitação através dos patrocínios, incluindo o do próprio governo. O produtor agora só pode captar R$ 100 mil. A tabela com os limites, publicada na Resolução Nº 002/2004, está disponível na home page da Fundarpe (www.cultura.pe.gov.br). (J.C.)
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| Comentários dos Leitores |
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| "Acho muito válida a mudança no funcultura, afinal
é para isso que se trabalha, a lei é para todos. O que
vemos são sempre as mesmas pessoas se beneficiando, a si e
a seus "amigos", Já virou meio de vida. Está
na hora de outras pessoas terem oportunidade. Afinal o dinheiro do
povo (dinheiro público) não é para manter teatros
particulares, nemgrupos que só enxergam o próprio umbigo."
Juliana Goes Nascimento, por e-mail. |
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