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Parmalat deixa de pagar aos seis mil funcionários
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Fornecedores de leite à empresa também não receberam o pagamento |
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A Parmalat também deixou de pagar os cerca de seis mil funcionários da empresa no País, incluindo pessoal que trabalha em sua unidade instalada em Garanhuns. São mais de duzentos funcionários da fábrica em Pernambuco que esperam pelo salário desde a última sexta-feira, assim como produtores de leite e fornecedores em geral que também não receberam. A situação no município de Garanhuns é crítica em função da crise. O comércio é o mais afetado. O leite serve como moeda na Região. A captação do leite na unidade de Garanhuns já foi reduzida por falta do pagamento. Desde a última quarta-feira que empresa entrou com pedido de concordata preventiva, solicitando um prazo de dois anos para quitar seus débitos no País, calculados em cerca de US$ 1,4 bilhão.
Com problemas financeiros desde o final de 2003, esta é a primeira vez que a Parmalat atrasa o pagamento dos salários. Segundo a Assessoria de Imprensa da Parmalat, o salário dos funcionários será pago hoje. A empresa informou que existe dinheiro para pagar os trabalhadores e que o atraso no pagamento teria sido provocado "por falhas técnicas" do sistema bancário.
Na sexta-feira, o Banco Central colocou no Sisbacen (sistema de informações ao mercado) a informação de que a Justiça havia desbloqueado todos os recursos da Parmalat. Não se sabe, entretanto, se o Banco do Brasil desbloqueou a conta da empresa. Segundo a Parmalat, o pagamento dos funcionários seria feito por transferência de recursos que estão depositados no Itaú para outros bancos.
"A falta de pagamento aos funcionários e fornecedores está trazendo um desequilíbrio grande para a região. Além disso, alguns produtores já estão pensando em se desfazer do rebanho para honrar compromissos financeiros. Isso colocará por terra todos os esforços para melhoramento genético do rebanho", disse o presidente da Cooperativa Agropecuária de Garanhuns, José Maria Azevedo.
INTERVENTOR - Uma comitiva brasileira deve se reunir nesta semana com o interventor da Parmalat italiana, Enrico Bondi. A comitiva é composta peloministro Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, integrantes da Contac (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação e Assalariados Rurais), e a comissão da agricultura da Câmara dos Deputados.
Segundo a Contac, a reunião com Bondi está agendada para hoje. Bondi foi o executivo designado pelo governo italiano para traçar o plano de reestruturação da empresa. O presidente da Contac, Siderlei Silva de Oliveira, disse que o objetivo da viagem à Itália é descobrir quais são os planos traçados pela Parmalat italiana para a subsidiária brasileira.
"Queremos saber o que é que eles (italianos) querem para o Brasil. Qualquer decisão que for tomada no Brasil precisa estar em linha com a estratégia já desenhada pelo governo italiano, que já interveio na Parmalat", disse Oliveira.
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