Para Rita Lee não existe tempo ruim. Sob uma tempestade, ela animou a platéia encharcada do Classic Hall, no sábado, último dia do Festival de "Verão" do Recife. A própria roqueira, que abriu a noite, às 21h30, ficou toda molhada, com o cabelo colado na cara, e teve até que interromper o show para "a tia se enxugar", como disse. O público foi de 46 mil pessoas, segundo a produção.
A verve bem-humorada da cantora percorreu todo o show, com gestinhos obscenos, peruca com bobs e muitos sucessos, como as clássicas Doce Vampiro, que cantou com uma capa preta, e Ovelha Negra, que fechou o espetáculo em grande estilo, com todos cantando juntos com as mãos para cima. No palco, ela dividiu a cena com o marido, Roberto de Carvalho, e o filho Beto Lee.
O show, que foi aberto com Jardins da Babilônia, ainda teve Top Top, música dos Mutantes, e cover do Ramones, com I Wanna Be Sedated. Do CD novo, a mais ovacionada foi Sexo e Amor, que está na novela Celebridade.
Se a tia roqueira mostrou que ainda está em forma, a nova geração não deixou por menos. O show da banda paulista Charlie Brown Jr., quinta a se apresentar, enlouqueceu o público. O vocalista Chorão falou sem parar sobre violência, música e sua adoração por Recife e pelas bandas daqui. "É uma satisfação enorme tocar na terra de Chico Science", disparou logo após o primeiro sucesso estrondoso, Papo Reto, que seria repetido no bis.
O Kid Abelha agradou o público, mas manteve a temperatura morna. Desfilou os hits do CD Acústico, como Lágrimas de Chuva (apropriada para o tempo da cidade), Como Eu Quero, Eu Tive Um Sonho, Fixação, Eu Só Penso em Você e uma versão "funk com berimbau" de Quero Te Encontrar, da dupla Claudinho e Buchecha.
Paulo Toller, de frente única preta brilhosa, se insinuava para a platéia com frases como "Vocês gostam de sexo pela internet?" e "Tá todo mundo molhadinho" -em referência à chuva, claro. Aliás, o aguaceiro virou personagem da noite e dos shows. Quando Lirinha, vocalista do Cordel do Fogo Encantado, soltou o verso "Eu canto para que o céu escute/para que desça a chuva", a galera toda gritou "não". Nessa hora, a chuva havia dado uma trégua, como em outros intervalos também.
da casa - O show do Cordel, a "prata da casa", como disse o apresentador, foi um sucesso, com excelente iluminação e a energia sem fim de Lirinha, que às vezes parecia estar tendo ataques epiléticos.
No habitual tom messiânico, ele mostrou músicas do último CD, O Palhaço do Circo Sem Futuro, como Quando o Sono Não Chegar, de abertura, e Tempestade (olha ela aí de novo...). A banda mostrou também uma música nova, Morte e Vida Stanley, sobre um peão pernambucano que vive em São Paulo.
O Engenheiros do Hawaii, segundo grupo a se apresentar na noite, mostrou que ainda faz sucesso entre a moçada. Entre hits recentes, como A Montanha e Terceira do Plural, e antigos, como Infinita Highway e O Papa É Pop, o vocalista Humberto Gessinger conquistou o público. O reggae do Natiruts deu um tom mais leve ao festival após os petardos do Charlie Brown Jr. Detonautas e Mundo Livre também levantaram o público, e Almir Rouche terminou a noite em ritmo de Carnaval.
A tenda eletrônica ficou lotada, com apresentações de DJs como Bruno V, acompanhado do percussionista Rodrigo Parciornik, e do VJ Alexis, responsável pelas imagens do telão.
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