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Parceria garante produção
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MEDICAMENTOS |
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Um intercâmbio antigo, que vem sendo mantido desde a década de 60, entre o Departamento de Antibióticos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) pode significar, no futuro, um grande avanço para a farmacologia pernambucana. Desde que o pesquisador Oswaldo Gonçalves de Lima, do Departamento, extraiu, em 1956, a Naftoquinona do Ipê-roxo, e possibilitou, posteriormente, a fabricação (pelo Lafepe) do Lapachol, remédio usado no tratamento de câncer de estômago, os convênios de cooperação técnica entre as duas instituições vêm se intensificando. Agora, um subproduto do Lapachol, a Betalapachona (também isolado por Oswaldo Lima), está sendo pesquisada pelo Lafepe, que pretende desenvolver as possíveis formas farmacêuticas do produto.
"Estamos co-patrocinando, inclusive, estudos clínicos fundamentais no desenvolvimento do remédio", adiantou o diretor técnico do Lafepe, Pedro Rolim, que também é professor do Departamento de Tecnologia Farmacêutica da UFPE. ABetalapachona auxilia no tratamento de câncer de próstata e já é objeto de estudos do Lafepe há três anos. "Uma pesquisa para o desenvolvimento de um remédio dura, em média, entre dez e quinze anos. Por isso, ainda temos muito trabalho pela frente", salientou.
De acordo com a professora Janete Magali de Araújo, coordenadora de pesquisa da área de microbiologia do Departamento de Antibióticos da UFPE, a Betalapachona vem sendo pesquisada nos Estados Unidos desde a década de 90, associada ao Tacsol, outra substância usada no tratamento de câncer de mama e ovário. Uma das vantagens da Betalapachona é que ela não é tóxica ao organismo. "Ela causa a apoptose (espécie de suicídio da célula cancerígena) sem causar danos às células boas do corpo.
Além do Lapachol, o Departamento de Antibióticos da UFPE fornece mais duas substâncias para produção de medicamentos pelo Lafepe. Um deles é o princípio ativo do Imunoparvum, comercializado pelo laboratório desde 1994. O remédio injetável é uma espécie de vacina que melhora a imunidade do organismo. É utilizado principalmente em pacientes que fazem quimioterapia e portadores do vírus da Aids. O terceiro produto fornecido pelo Departamento ao Lafepe é a Actinomicina D, usado no tratamento de câncer de rim e linfomas. Esse tipo de medicamento só é utilizado em hospitais, pois sua venda em farmácias não é permitida.
A quantidade dessas substâncias enviadas ao Lafepe pelo Departamento de Antibióticos é considerada muito pequena. "Temos feito um trabalho de marketing junto aos médicos para que eles passem a conhecer melhor as drogas e possam prescrevê-las mais. Por enquanto, nossa demanda com relação a elas ainda é pequena", lembrou Pedro Rolim.
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