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Maracaípe vira templo do pop
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Shows na praia |
Júlio Cavani Da equipe do DIARIO |
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A semana chuvosa não molhou as expectativas de quem optou por aproveitar o fim de semana nos points de Maracaípe, que neste mês de janeiro viu suas areias se tornarem o principal palco da orla nordestina para a música pop e a cocotagem jovem. Se o número de freqüentadores já vinha crescendo a cada ano (impulsionado principalmente pelos campeonatos de surf e shows do fim dos anos 90), neste verão a praia ganhou movimento intenso durante 24 horas por dia, principalmente por causa dos projetos culturais das empresas OI, TIM e Skol, que montaram palcos para DJs e bandas à beira-mar. "Queremos associar o evento a Maraca, e não a Porto de Galinhas, pois a escolha da praia não foi à toa, já que ela tem um perfil de público diferente de qualquer outro ponto do litoral brasileiro", expõe Branco Barbieri, produtor do Spirit em Pernambuco, o campeão de público.
No Skol Spirit e na tenda Oi na Praia, a aposta é a música eletrônica, com os DJs como estrelas investindo em batidas ora relaxantes ora dançantes. "Peço para o DJ começar leve e depois ir acelerando e pegando forte quando chegarem mais pessoas, o que acontece por volta das 18h", detalha Barbieri. No projeto TIM by Maraca, as bandas de pop rock são a opção. "Preferimos propor algo mais lúdico, mais leve, que agrade a todos, fazendo uma espécie de luau", revela Bruno Costa, um dos coordenadores do evento, cujos shows começam às 17h. O estudante de Direito Clísthenes Lima, fã de Maracaípe, mostra que é possível se divertir sem parar (literalmente) nos fins de semana deste verão: "Durante o dia e no início da noite eu fico na praia circulando nessas tendas. Mais tarde e durante a madrugada vou às boates e bares de Porto".
Das três, a tenda da Oi é a que possui o cardápio mais elaborado e original, com itens criados pela equipe do Bar do Neno. Nesse quesito, a Spirit é a mais fraca, se restringindo a espetinhos e outras opções comuns demais. Já a TIM fez uma opção roots ao adotar o menu do Bar do Marcão, com tudo o que uma palhoçaà beira mar oferece, servindo de frutos do mar e caldinhos até açaí na tigela.
Alguns donos de palhoções reclamaram da quantidade de clientes que perderam para as tendas eletrônicas, mas por um lado eles precisam entender que a propaganda da praia promovida pelas empresas atraiu gente nova para Maracaípe, beneficiando também os nativos. Ao lado da tenda da Skol, impressiona o número de comerciantes informais que alimentam o público que prefere ficar nos entornos para fugir do bate-estaca sem perder a badalação.
O bancário Sérgio Henrique, de 19 anos, encheu um isopor de bebidas e gelo e reuniu um grupo de amigos para ficar a alguns metros da entrada do Skol Spirit ouvindo o som que saía das malas abertas dos automóveis. "Aqui fora é muito melhor. As coisas são mais baratas e a música nos agrada mais", explica-se. Mais de mil pessoas estão fazendo a mesma opção nos fins de semana, enchendo o coqueiral localizado ao lado da tenda de gente dançando pagode, brega e funk, tomando vinhos de R$ 1,00 e comendo espetinhos. A prefeitura de Ipojuca precisa arrumar uma maneira de regularizar e organizar os vendedores informais para evitar o caos e a insegurança, que surge mesmo com o bom policiamento que vem sendo pela organizado pela PM.
Segundo Branco Barbieri, no sábado passado mais de 8 mil pessoas fora à tenda assistir ao set do DJ Patife com o percussionista Mr Jam, mesmo com tempo nublado. Neste fim de semana, com o pernambucano DJ Dolores, a estimativa foi de 6 mil veranistas. Os números são comparáveis aos de grandes festivais de música pop, o que deve levar a Ambev a reformular o formato do evento para o ano que vem, investindo em um palco propriamente dito, mas sem fugir da proposta inicial de levar música eletrônica à praia. Mesmo assim, a estrutura física do ambiente neste ano já está bem mais apropriada do que a das duas edições anteriores.
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