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Faces lança rappers africanos
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A banda Faces do Subúrbio prepara mais uma vez seu arsenal para a guerra que mais sabe travar, a de palavras, engatilhadas por um potente beat box e bases super boladas, com direito ao sotaque nordestino do pandeiro. Após 10 anos de estrada, o grupo está de cara nova. Saíram Massacre, Garnizé e KSB, para a entrada de Eduardo Silva (baixo), Perna (bateria) e o DJ Beto. Os MCs Tiger e Zé Brown, mais o guitarrista Ony, apresentam a nova turma no quarto disco da banda, Perito em Rima, cujas gravações começaram esta semana no Recife. Enfoque para a sacada do grupo de que o rap é a nossa embolada, conceito explorado desde o último lançamento, Como é Triste de Olhar (2001), que foi indicado ao Grammy de melhor disco de rap.
Além disso, o Faces será responsável pelo lançamento do trio de rappers africanos, formado por três dos dez jovens que foram jogados ao mar quando descobertos escondidos num navio que partiu da costa do Benin com destino desconhecido, pelo menos para eles. Momadi Kourouma, 16 anos (ele não tem certeza sobre a idade), Mohamed Conara, 18, e Issiaga Keita, 19, formaram no Brasil o grupo Genda Merrie Africa. Momadi e Mohamed já se conheciam e, no Benin, já haviam gravado uma fita K-7 com suas músicas. Os jovens trouxeram cópias, que se perderam no mar, junto com outros pertences.
Esperando que a Justiça julgue o pedido de refúgio impetrado pelo GAIM (Grupo de Apoio ao Imigrante), os jovens estão sendo abrigados pelo Movimento Negro Unificado e tentam conseguir trabalho na construção civil para bancar seus custos. Há duas semanas, levados pelo MNU ao evento Terça Negra, no Pátio de São Pedro, foram apresentados a Brown e Tiger, da banda Faces do Subúrbio. "Desde que chegaram aqui, já no hotel, eles começaram a cantar. Foi quando o Issiaga, que não conhecia os dois amigos, aproximou-se mostrando que também sabia improvisar. Eles agora querem formar o grupo", conta o advogado Gilberto Vasconcelos, que impetrou a ação em favor da permanência dos africanos no Brasil.
Em francês, as frases do Genda Merrie Africa fornecem uma sonoridade mais universal à música do Faces. Os três gravaram com a banda pernambucana uma música chamada Terra Mãe. Momadi diz que há muito tempo homens negros vieram da África para o Brasil e que, portanto, somos de uma mesma família. "Minha música fala de Deus, fala do problema da gente, vontade de ficar igual para se ajudar, evitar a violência, união, paz", fala num português de emergência. O jovem que na África ouvia pagode brasileiro, rock e hip hop americano e tocava butê (percussão local), quer morar no Brasil para "fazer música e jogar futebol".
Para Brown, os africanos são como muitos brasileiros pobres e sem perspectivas. É preciso dar uma chance. "Sem contar que o rap que eles fazem é bem legal e pede aquilo que nós falamos também". O repertório do disco está fechado e, por enquanto, pode-se dizer que é um CD mais poético, preocupado com as rimas, com a semelhança entre o rap e a embolada. Além dos africanos, irá contar com a participação das cantoras Cláudia Beija, Mônica Feijó, Isaar e de um certo Seu Nelson, morador do Alto José do Pinho, homem cheio de estilo e de palavras, que vive dando conselhos à molecada.(M. A.)
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