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Atualizado em 27|01|2004 
Viagem | Sol na medida certa
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Viagem
Sol na medida certa
Protetor solar ajuda, mas tem que ser usado corretamente. Veja outros cuidados médicos para evitar que uma enfermidade estrague seu verão
Uma boa viagem de férias não depende apenas da escolha de um lugar maravilhoso, dos momentos tranqüilos ao lado da companhia preferida ou de praia, festa e diversão. Uma saúde debilitada pode estragar dias que têm tudo para serem memoráveis. Portanto, não subestime o calor do verão e previna-se. Tomar as precauções necessárias sob o sol é fundamental para garantir uma curtição saudável e um bronzeado correto e bonito na volta ao batente.

Fazer isso não é difícil. O cuidado mais básico que as pessoas conhecem é o uso do protetor solar. O problema é que dificilmente é feito da forma correta. O ideal é aplicar o filtro 30 minutos antes da exposição, para uma melhor absorção do corpo. No rosto, o produto deve ter proteção alta - acima de 20, pelo menos. E deve ser reaplicado a cada duas horas, ou depois de sair da água ou de suar muito.

''Para as pessoas de pele clara a precaução deve ser redobrada. Não podem ficar ao sol por muito tempo e o fator de proteção deve ser, no mínimo, 15'', alerta o dermatologista Iphis Campbell. Segundo ele, negros e morenos podem curtir o sol sem tanto peso na consciência.

Outra medida que o dermatologista ressalta é não ficar sob o sol entre as 10h e as 16h. Nesse horário, a incidência dos raios ultravioleta (UV) é maior e faz mal à saúde. São eles que causam queimaduras, alergias, envelhecimento da pele e, a longo prazo, câncer. Mas, como a maioria dos turistas de verão tem propensão a fugir dessa recomendação, o mínimo a fazer é procurar as sombras, usar boné, chapéu e camiseta. Aliviar rosto, nuca, braços e mãos com água fria ou tomar banho de mar ou piscina sempre cai bem.

Sem cuidados, as conseqüências podem ser graves. Como a insolação, que é a desidratação da pele. Ficar à mercê do sol nos horários de pico sem protetor solar é pedir para sofrer da enfermidade. Os sintomas vão das queimaduras e dores de cabeça até náuseas, coração acelerado, vômitos e desmaios, causados pela falta de oxigenação no cérebro. Um estágio mais grave provoca arritmia cardíaca e hipertensão arterial. É hora de ir para o hospital.

Por isso, beber água, e muita, é fundamental. ''Na temperatura normal hidrata mais que gelada'', avisa o nutricionista Júlio Henrique Aquino. Ele explica que, além da hidratação, uma dieta balanceada evita o mal-estar sob calor forte. O ideal é comer refeições leves, no máximo de três em três horas. Abuse das frutas, saladas e sorvetes. Cafeína, álcool e açúcar são perigosos, pois fazem o corpo perder mais líquidos.

Exames - Não extrapolar durante a viagem de férias também é a ordem para idosos, obesos, hipertensos e pessoas com problemas cardíacos. Turistas desse grupo não podem brincar com o sol. Para diminuir os riscos de alguma surpresa desagradável, é bom fazer uma visita ao médico antes de pegar o carro ou o avião. O profissional de saúde indicará até que ponto é seguro aproveitar o sol na praia ou na piscina.

''Basta ver como está a pressão, o coração, maneirar nos exercícios, banhos de sol e tomar muita água. Nada que estrague as férias'', ameniza o clínico-geral ecardiologista William Camargo.

Todas as recomendações valem para as crianças e bebês. No caso do uso de protetores solares, o mais indicado é usar aqueles com fator de proteção superior a 50. Isso porque queimaduras e insolações ocorrem de forma mais rápida em pessoas mais novas. Pais e mães devem dar água a elas o tempo todo e tirá-las do sol depois das 10 horas.

Após um dia debaixo do sol de verão, as medidas para preservar a saúde não acabam. Um banho frio ajuda a diminuir a temperatura corporal. O melhor é não usar bucha, que tira as proteções naturais do corpo. O sabonete pode ser neutro ou hidratante, de glicerina ou leite de cabra. Depois, lembre-se de passar um hidratante para o corpo, pois vento, sol, piscina, areia e calor ressecam a pele.

No caso de os cuidados não terem sido suficientes e o sol tiver queimado o corpo, é hora de tratar para não estragar o resto das férias. A babosa é usada há milhares da anos para esse tipo de cura. É importante para o equilíbrio hídrico. Outros remédios para essas ocasiões são a erva calêndula e o óleo essencial de lavanda, para queimaduras; e os óleos de hortelã e essência de camomila, que dão um efeito refrescante. Se desconfiar que o caso é grave, não espere a viagem acabar. Procure o médico na cidade onde estiver.

Perigo na praia - Além das queimaduras provocadas pelos raios solares, o clima quente e úmido favorece o aparecimento de vários tipos de micoses. Nesse caso, o cuidado básico é não andar com o biquíni ou calção de banho molhado o dia inteiro. O atrito, principalmente na virilha, provoca o aparecimento das infecções.

A areia também contém vermes causadores de micoses e outras doenças da pele. Na maioria provocados por fezes de cachorros. ''Evitar as áreas notadamente sujas é o modo de prevenção. São problemas difíceis de controlar porque a única profilaxia seria não ir à praia'', explica o dermatologista Iphis Campbell.

O bicho geográfico é uma das infecções mais comuns. Ele consiste em uma irritação de cor vermelha escura que parece ir caminhandoe mudando de lugar no corpo. Não cutuque. Se não for possível ir a um médico, passe éter com algodão na área atingida. Isso não vai matar, mas pode provocar a descamação da pele irritada e a expulsão do parasita.

As bactérias estafilococos e estreptococos causam o impetigo. Essa doença aparece na forma de vesículas e bolhas que rapidamente se rompem. O resultado são áreas com erosão na pele e formação de crostas no lugar. Para combatê-lo remova as cascas e limpe bem as lesões. O uso de um antibiótico indicado por um dermatologista previne que o problema se repita.

Outra incidência comum do verão é a micose de praia. Esta, na verdade, não é adquirida na praia ou piscina. O fungo causador da doença habita a pele de todas as pessoas e se desenvolve em algumas delas. Ela é comum no verão porque, quando a pele é bronzeada pelo sol, a área infectada não queima, deixando manchas brancas no corpo. O tratamento é feito com medicamentos via oral ou local.

 
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