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Cirurgia ajuda pessoas com sexo indefinido
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Doze pacientes já tiveram o canal vaginal construído no HAM |
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Saber o sexo do filho ainda durante a gestação (através da ultra-sonografia) ou logo após o nascimento é uma das maiores emoções reservadas aos pais. Mas há situações em que esse momento mágico é adiado e se transforma em um emaranhado de incertezas com relação à identidade sexual da criança. É quando os médicos não conseguem definir o sexo do bebê, que nasce com os genitais ambíguos e difíceis de serem identificados. "Esses casos são resultado de alterações dos genes da mãe ou do pai, que acabam ocasionando a anomalia", adianta o ginecologista Carlos Alberto Sá Marques, do Hospital Agamenon Magalhães (HAM). O hospital tem um ambulatório especializado de ginecologia que já possibilitou, em 15 anos, a realização de cirurgias reparadoras em doze pseudo-hermafroditas. A maior parte dos pacientes operados são do Interior.
De acordo com Carlos Marques, responsável pelas operações, os doze casos não foram iguais. "Quatro pessoas apresentavam testículos na região inguinal (na virilha), não tinham vagina nem útero,apenas um micropênis (um clitoris aumentado), que é encurtado com a cirurgia", explicou o médico. Nesses casos, segundo Carlos Marques, os pacientes têm muito hormônio masculino por causa da presença dos testículos, o que acaba impedindo o total desenvolvimento dos órgãos genitais femininos. Outro grupo de pacientes tinha útero, mas não tinha vagina, o que os impossibilitava de menstruar normalmente e, como o primeiro, de ter relações sexuais. O último grupo é de pessoas que só têm a vulva (parte externa da genitália feminina), mas não dispõem de útero e nem de canal vaginal.
Esses pacientes foram, em sua totalidade, criados pelos pais como meninas. "O sexo social deles é o feminino", ressalta o ginecologista. A cirurgia para a criação da vagina consiste na realização de um orifício entre o meato urinário e o reto. No local é colocado, pelo período de oito dias, um molde revestido de tecido amniótico. Depois de retirado o molde, o tecido tem a capacidade de se transformar, com o tempo, em membrana idênticaa da mucosa vaginal. Essa técnica cirúrgica é utilizada pela equipe do HAM, composta pelos médicos Carlos Marques, Roberto Rinaldo, Iara Coelho e Joselma Paes.
A professora, I.M.O, de 28 anos, passou pela cirurgia em 1992, com 16 anos. "A operação mudou minha vida", assegura I.M., cuja irmã adolescente apresenta o mesmo problema de origem congênito. A professora, que mesmo com o tratamento hormonal não conseguiu desenvolver seios, também se submeteu a cirurgia plástica para implantar próteses de silicone de 210 ml. "A mama é fundamental para a feminilidade de qualquer mulher", disse o cirurgião plástico, Maurício Gama, que atua juntamente com o chefe do serviço de cirurgia plástica do HAM, Luís Alberto Leite. "Todos os pacientes também contaram com acompanhamento psicológico durante o tratamento", lembrou a diretora do HAM, Elenice Guimarães Negromonte.
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