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Mitos e mentiras sobre o emprego
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Mercado de trabalho é cheio de modismos que devem ser encarados de forma crítica |
Tatiana Nascimento DA EQUIPE DO DIARIO |
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Você pode nem se dar conta, mas o mercado de trabalho tem um quê de São Paulo Fashion Week. Os modismos vêm e vão, deixando o profissional sem saber que rumo dar à carreira. Quer um exemplo? Até pouco tempo atrás, o bom empregado era o que vestia a camisa da companhia e lá permanecia por anos e anos, muitas vezes até a aposentadoria. Depois, surgiu a história de que para crescer na profissão era preciso trocar de emprego quase como quem troca de roupa. A prática, no entanto, mostra que nenhuma dessas determinações deve ser encarada como verdade universal. Estar atento às mudanças do mercado não significa se render aos mitos do emprego.
Para a consultora Helena Arantes, da DAT, quem segue o embalo da moda corporativa não demora muito para se dar mal no mercado. Ela garante que carreira não deve ter modismo. Cita o exemplo do profissional que está crescendo em uma empresa, recebendo treinamento, elogios e promoções e, mesmo assim, decide procurar outro trabalho. "Se está tudo certo e a pessoa está feliz, não existe motivo para mudar só porque lá fora estão dizendo para fazer isso. Ninguém pode determinar uma coisa dessas, apenas o profissional", diz. A transferência deve ser considerada, sim, por alguém que - após três, quatro anos de esforço - continua a executar as mesmas funções, sem ser reconhecido.
Da mesma forma, é preciso ter em mente que emendar um curso de especialização atrás do outro está longe de garantir um lugar ao sol no mercado de trabalho. Isso porque, na hora de definir quem fica com a vaga, o nível de competência e os aspectos comportamentais contam mais pontos. "As pessoas são contratadas pela experiência e demitidas pelo comportamento", lembra Helena Arantes. Pior que é isso mesmo o que acontece (a não ser que a empresa esteja promovendo um corte linear no quadro de pessoal). Segundo a consultora, a grande maioria das demissões não acontece por falta de competência técnica, mas pelas atitudes comportamentais.
Em um artigo sobre os mitos e verdades do mercado de trabalho, o consultor Ricardo Almeida Prado Xavier, presidente da Manager Assessoria em Recursos Humanos, destaca que são mais valorizadas as pessoas que acumulam experiências diversificadas, que tenham vivenciado diferentes situações. Segundo ele, as carreiras tendem a ser construídas hoje pela experiência agregada em várias áreas. Helena Arantes destaca a bi-diplomação como diferencial. No caso, é o sujeito que tira o diploma em, digamos, Engenharia no Brasil e no Exterior. "Ele fez parte do curso aqui e parte lá fora. Mas o que conta mesmo é a vivência em outro país", explica.
Vale lembrar também que, em tempos de empresas enxutas, uma determinada função, hoje, é a soma de outras três do passado. A realidade é diferente e o profissional é chamado diariamente a assoviar e chupar cana. Entendeu? Mas não vá cair na armadilha de se acomodar no emprego, só porque está fazendo tudo certinho. Helena Arantes gosta de usar a frase de um amigo para derrubar o mito da segurança no emprego: "O contratode trabalho é assinado de manhã e rescindido à tarde".
Pensando desta forma, diz a consultora, o profissional sempre vai buscar dar o melhor de si, e as chances de reconhecimento e promoções crescem. Tem outra coisa. Encarando a situação dessa maneira, também é mais fácil refletir e cortar o vínculo quando aparece uma proposta melhor ou mesmo na hora da indesejada demissão. "Temos que lembrar que, antes de tudo, o contrato de trabalho é uma coisa fria e impessoal".
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