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Deportados dos EUA chegam ao Brasil
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CPI será criada para investigar aliciadores que recebem dinheiro para facilitar a imigração ilegal |
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BELO HORIZONTE - O drama de pelo menos 284 brasileiros, de um total de cerca de 1.400 presos nos Estados Unidos por tentarem atravessar a fronteira do país ilegalmente, terminou ontem, às 14h, quando os vôos das companhias Air Luxor e American Airlines chegaram ao Aeroporto Internacional de Confins, na capital mineira. Provenientes de vários estados, a grande maioria de Minas Gerais - cerca de 70% -, os deportados vieram acompanhados do senador Hélio Costa (PMDB-MG), senador Marcelo Crivella (PL-RJ) e do deputado federal João Magno (PT-MG). O retorno foi negociado entre representantes brasileiros e governo americano. Pelo menos 1.050 brasileiros estão prontos para retornar em três novos vôos, nas duas primeiras semanas de março e a primeira de abril. Além dos deportados, 40 agentes norte-americanos viajaram para o Brasil.
Dos brasileiros que chegaram ontem, 77 são do Leste de Minas Gerais, moradores de Governador Valadares, Ipatinga, Galiléia, Itanhomi, Alpercata e Resplendor. Para cruzar a fronteira do México com os EUA, pagavam de U$ 2 mil a US$ 10 mil a agenciadores brasileiros e mexicanos, os coiotes. No desembarquem, os deportados foram recebidos por centenas de familiares. Os brasileiros que não tinham condições de comprar passagem para outros estados receberão suporte do Governo para voltar para casa.
PRISIONEIROS - Embora 1.050 brasileiros estejam prontos para retornar ao Brasil nos próximos meses. Mas, outros 408 estão com a situação indefinida. Isso porque conseguiram atravessar a fronteira ilegalmente, mas cometeram delitos em território americano. Nesta situação, estão 208 brasileiros que deverão responder pelos crimes e ser processados pela Justiça dos Estados Unidos. Outros 200, ainda serão ouvidos, pois tornaram-se testemunhas em casos envolvendo coiotes mexicanos presos na fronteira.
E quem ainda está preso nas penitenciárias norte-americanas vive em condições precárias. Conforme o senador, em algumas prisões, a situação é inaceitável. "Nos deparamos com brasileiros em celas solitárias, comluzes acesas 24 horas por dia, comida ruim, algemas nos braços mesmo quando iam nos banheiros, imigrantes misturados com presos comuns", relatou Costa.
A ação dos chamados coiotes, será alvo de uma CPI. Segundo o senador Hélio Costa, que há cerca de um mês negocia a transferência de brasileiros das prisões americanas para o Brasil, o pedido de criação de um CPI no Congresso e no Senado será feito na próxima semana, quando os parlamentares apresentarão documentos que provam à necessidade do combate à "máfia da fronteira", presente em Minas Gerais e em São Paulo. Conforme o senador, os parlamentares reuniram vasta documentação que comprova que os coiotes traficam drogas, crianças e fomentam a prostituição em território americano.
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