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Edição de Terça-Feira, 27 de Janeiro de 2004 
Especial | A Restauração Pernambucana
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Especial Holandeses - Fascículo 30
A Restauração Pernambucana
Fora a Guerra da Liberdade Divina, como fora chamada a Insurreição Pernambucana eclodida, em 1654, um movimento surgido à revelia da própria Coroa Portuguesa, da parte dos moradores de Pernambuco, destinado a expulsão dos holandeses do território compreendido entre o Rio São Francisco e a capitania do Maranhão.

Antes de Guararapes os nascidos no Brasil, mesmo quando filhos de portugueses, eram simplesmente chamados de mazombos. O gentílico brasileiro, do qual tanto nos orgulhamos, é fruto desses nossos ancestrais que a custa do seu sangue, de suas vidas e de suas fazendas lançara as sementes de nossa nacionalidade. No calor da "guerra brasílica", assim chamada para denominar a ampla utilização dos métodos e táticas de guerrilhas, até então desconhecidos dos exércitos europeus, que pela primeira vez mazombos e reinóis, índios brasilianos, negros de nação, crioulos e mulatos, formaram os seus terços e juntos lutaram pela restauração desta terra.

Movidos pelo mesmo ideal, participando das mesmas tocaias, escaramuças e batalhas, lutando ombro a ombro, sem ajuda de qualquer força exterior, eles conseguiram a expulsão do forte e bem armado invasor holandês e assim conquistou as suas próprias fronteiras.

As duas vitórias dos exércitos insurretos vieram despertar a confiança na vitória sobre os holandeses, inclusive na Coroa Portuguesa cujo rei, D. João IV, mostrava-se propenso a aceitar o parecer do padre Antônio Vieira em seu Papel Forte datado de 14 de março de 1646. Nas suas recomendações o religioso aconselhava ao monarca trocar os territórios ocupados no Brasil pela Companhia das Índias Ocidentais em favor de uma paz duradoura com a Holanda, acusando "o levantamento de Pernambuco de obedecer somente ao desejo dos moradores de não pagarem o muito que deviam aos holandeses" (Oliveira Lima).

Enfrentando a incerteza e a apatia real, os de Pernambuco ainda tinham contra si as catilinárias do padre Antônio Vieira que em seu Papel Forte reconhecia "que a melhor solução era a da entrega de Pernambuco, pois os holandeses não admitiam a proposta de compra". Confiava, entretanto, que os portugueses haveriam de tornar a tomar, "com a mesma facilidade, quando nos virmos em melhor fortuna, que agora é querer perder isto e o demais".

Sós, contando contra si com a apatia Real, os mazombos (como eram então denominados os nascidos no Brasil de pais portugueses), reinóis, índios brasilianos, negros de nação, crioulos e mulatos, já unidos sob o mesmo ideal da Insurreição Pernambucana, continuaram a luta "à custa do nosso sangue, vida e fazendas", como vieram proclamar posteriormente.

 
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