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Militando entre política e arte
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ANTÔNIO GRASSI E CELSO FRATESCHI FALAM SOBRE SEMELHANÇAS ENTRE DELIBERAR E INTERPRETAR |
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Nem Celso Frateschi, secretário municipal de Cultura de São Paulo e intérprete do anarquista Ernesto na minissérie global Um Só Coração, nem Antônio Grassi, presidente da Fundação Nacional de Arte (Funarte) e intérprete de Reginaldo na novela das seis, da TV Globo, Chocolate com Pimenta, sabem dizer se eles se interessaram primeiro pela política ou pela arte.
No entanto, os dois afirmam que são atores acima de tudo e, que dá muito trabalho se dedicar à televisão e a um cargo público, simultaneamente. "Minha vida sempre foi ligada à cidadania e o fato de o teatro ser uma arte mais preocupada com a sociedade me fez começar no Teatro de Arena, há 34 anos", conta Frateschi. "Por atuar, tenho muito na cabeça a Grécia Antiga, onde os cidadãos costumavam exercer uma função pública durante algum tempo", completa.
Inicialmente, Ernesto ficaria na trama até o décimo terceiro capítulo, quando seria assassinado, mas Frateschi já foi informado de que o personagem voltará à trama no capítulo 28, após passar uma temporada na Coluna Prestes. "Gosto da minissérie porque ela fala da história de São Paulo e meu personagem tem motivação política. Não sou anarquista como Ernesto, mas simpatizo com a maneira como ele pensa o ser humano", revela.
Já Antônio Grassi, chegou a ser questionado pela Comissão de Ética do Palácio do Planalto quando passou a acumular a presidência da Funarte e a participação em Chocolate com Pimenta. Mas argumentou que seria impossível privilegiar a Rede Globo, já que o órgão não é responsável pela produção audiovisual. "Atualmente fica difícil eu fazer teatro, porque a Funarte é procurada por muitos produtores. Mas no caso da novela está fácil conciliar", explica.
Para ele, pode ser vantajoso para a sociedade que um artista se dedique à política. "Gilberto Gil é ministro da Cultura, Miguel Falabella é responsável pela gestão dos teatros municipais do Rio, José Wilker está no comando da Riofilmes", enumera. "Claro que nem todo ator vai exercer bem um cargo político na área cultural, mas o fato de a gente conhecer o processo de produção ajuda. Podemos contribuir para refrescar a máquina", disse.
Grassi se interessou pela política também na juventude, começando a atuar na década de 70, num movimento estudantil de Belo Horizonte. Embora esteja ocupando seu primeiro cargo público, participou ativamente de diversas campanhas políticas, inclusive, as quatro de Lula à presidência. "Eu me considero um ator a serviço da política cultural", finaliza Grassi.
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