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Edição de Segunda-Feira, 19 de Janeiro de 2004 
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Opinião
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O sétimo mercado
Os jornais puseram em relevo uma pesquisa de mercado elaborada pelo instituto World Watch para o relatório "Estado do Mundo em 2004" da londrina BBC Brasil. Na investigação mercadológica em apreço, utilizou-se o conceito de consumidor de um dos consultores das Nações Unidas para o programa do Meio Ambiente. "Consumidor é o indivíduo que dispõe, por ano, de uma renda mínima de US$ 7 mil equivalentes a R$ 20 mil, segundo as cotações atuais".

  A partir desse número emblemático, temos o consumidor. Em que pese o aspecto arbitrário do algarismo, ele serve para começo de conversa sobre o que se passa no Mundo relativamente ao potencial de consumo nas mais diversas comunidades do Planeta - pobres, ricas ou remediadas. Da comparação com os outros casos, o Brasil representará o sétimo maior mercado do universo, atualmente.

  Quais os números, porém, do Brasil consumidor? Para a população estimada em 175 milhões de indivíduos, o País teria, hoje, 57,8 milhões de consumidores. O algarismo significa que em nosso país somente 33% da população é verdadeiramente digna de um poder aquisitivo respeitável. O Brasil precisaria, num esforço concentrado de alguns anos em prol da redistribuição de renda, chegar ao menos nas proximidades dos incômodos 66% de pessoas que não alcançam o título e o direito do senhor consumidor.

  Ainda que 57,8 milhões de consumidores possam representar, nas planilhas internacionais, um mercado digno de nota, para nós, brasileiros, o que se acha em jogo não é a dimensão desse mercado, mas a diferença existente sobre o potencial dele. É claro que a definição de consumidor aproveitada no estudo se serve de referência para a cogitação estatística, não tem a força de uma verdade científica, nem delimita, satisfatoriamente, o campo da indagação social. Por que não US$ 5 mil ou US$ 4,5 mil anuais de renda, ou outro número qualquer? O certo é que, bom ou ruim, no ponto de partida da avaliação o Brasil seria, hoje, conforme assinalamos, o sétimo maior mercado consumidor do Mundo.

  Contra os números brasileiros,vêm os dos demais países. Os Estados Unidos, com 242 milhões de consumidores, vêem incluídos na sociedade de consumo nada menos que 84% da respectiva população. Em segundo lugar, surpreendentemente, acha-se a China continental, com 239 milhões de consumidores. Mas esses 239 milhões de consumidores chineses querem dizer apenas 19% da população total do país, situação bem mais vexatória que a do nosso país (33%). Na conta do percentual de consumidores sobre a base demográfica, o Japão supera os Estados Unidos, já que o antigo Império do Sol Nascente teria 120,7 milhões de consumidores representativos de 95% do número de habitantes do país.

  Além da construção do pretensioso ranking aqui apenas esboçado, os autores do estudo se preocuparam em dizer que "os indivíduos mais ricos e gordos do Planeta (25%, aproximadamente, da população total) não são, entretanto, os mais felizes". Ora, assinalam, se o consumo gera empregos e faz o crescimento também dos países emergentes, o consumismo está elevando demasiado os jáaltos níveis de obesidade, está fazendo crescer as dívidas pessoais e danificando mais impiedosamente o meio ambiente. Há, em toda parte, menos tempo livre para o lazer. Em suma, o exagero do consumo da parte de 1,7 bilhão de habitantes da Terra dados como consumidores está a comprometer a qualidade de vida deles próprios como dos demais.

Comentários dos Leitores
"Pobre Pernambuco... os 350 anos de nascimento da Pátria, que se deu em Pernambuco tem uma programação pífia. Talvez por pessoas feito o Sr. Marco Aurélio Alcântara se preocuparem mais em responder um simples carta de um professor de história ao invés de levar idéias criativas para a grande comemoração, que deveria ser bancada pelo capital português, hoje um país rico e que precisava comemorar um de seus maiores feitos históricos, a vitória contra a armada da Cia das Índias Ocidentais. Vide seu artigo de hoje sobre o 27 de janeiro... faltando menos de 10 dias para a grande data, o senhor, como carangueijo que não consegue sair do caritó, dedica mais de 30 linhas para falar mau dos holandeses e, maldosamente, misturando a figura de Nassau. Senhor Marco Aurélio... crie mais... critique menos. O sr. tem um espaço gigantesco que o Diário de Pernambuco o dá.... vi tão poucas sugestões do Sr... mas um enorme artigo dedicado a atingir um pobre professor... que ganha mal, sofre com as condições das escolas e tanto queria ver este Pernambuco crescer. Foi muito bom para mim ver este artigo rancoroso do Senhor. " João Ribeiro Júnior, por e-mail.
 
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