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Advogado de Beira-Mar não depõe
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NARCOTRÁFICO |
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RIO - Dos cinco advogados que vêm trabalhando para Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Paulo Roberto Pedrini Cuzzuol, 55 anos, foi o escolhido para as visitas ao traficante no Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes (SP). A escolha, segundo Adalberto Lustosa, um de seus advogados mais antigos, foi do próprio Beira-Mar. De acordo com as normas de segurança do presídio, somente um advogado pode ser credenciado para as visitas na penitenciária. Na noite de sexta-feira, Cuzzuol e a mulher, Cecília Hering Rodrigues, 34 anos, foram presos com US$ 320 mil do traficante, segundo a PF (Polícia Federal). O advogado e a mulher se recusaram a prestar depoimento.
Eles estão no presídio Ary Franco (Rio). A PF informou não saber se o casal contratou advogado. Os dólares, segundo agentes da PF que participaram da prisão do casal, seriam entregues ao traficante Sandro Mendonça do Nascimento, o Promotor, no Paraguai, para a compra de drogas, armas e munições. Lustosa disse que está sem contato com Beira-Mar desde que foi transferido da penitenciária Bangu 1 (Rio) para Presidente Bernardes, em 27 de fevereiro do ano passado. Ele contou que Cuzzuol estava centralizando os trabalhos para seu cliente.
A PF informou que Cuzzuol é, hoje, o principal responsável pelos negócios de Beira-Mar no exterior. Segundo os agentes, o advogado disse, informalmente, que recebe 1% dos negócios realizados. "Fiquei surpreso e achei estranhas essas supostas declarações. Isso seria se submeter à situação de gerente de boca-de-fumo", disse Lustosa.
Além de Beira-Mar, Cuzzuol defende o Elias Maluco, acusado da morte do jornalista Tim Lopes, em junho de 2002. O presidente da seção Rio da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Otávio Gomes, afirmou, anteontem, que vai abrir um processo ético-disciplinar para apurar o caso. Ele informou que Cuzzuol será notificado da abertura do processo e terá um tempo para apresentar sua defesa prévia. Se ficar comprovado o envolvimento do advogado com o traficante, ele poderá ser expulso da OAB, afirmou Gomes. "Não podemos compactuar com isso. Todo advogado que violar nosso código de ética será punido", disse.
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