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Atualizado em 06|01|2004 
Viagem | Trabalho e diversão a bordo de um cruzeiro
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Viagem
Trabalho e diversão a bordo de um cruzeiro
Empregos temporários em navios de grande porte atraem mão-de-obra de todo o Mundo
Márcia Costa
Da equipe do DIARIO
Eles vêm de todos os lugares do mundo, principalmente dos países do Leste Europeu. Sempre sorridentes, usam o inglês como língua oficial para a comunicação com os passageiros e tentam superar a saudade de casa dedicando-se ao trabalho diário nos restaurantes, bares, cassinos e demais dependências dos grandes navios que aportam nos cinco continentes. Conhecer o mundo e ainda receber salários em dólar, sem se preocupar com as despesas de alimentação e hospedagem, são as principais vantagens apontadas por essas pessoas, geralmente na faixa etária de 25 a 30 anos, que disputam anualmente as cobiçadas vagas de trabalho em cruzeiros.

  A romena Elena Meascu, 30 anos, é um exemplo. Cansada de procurar emprego num país que vem sofrendo os males da recessão econômica, resolveu enfrentar a disputa de uma ocupação temporária em um transatlântico por uma agência. A experiência deu tão certo no primeiro ano que Elena resolveu repetir a dose em mais um cruzeiro, desta vez no Island Escape. O navio de dez andares, que realiza temporadas por uma joint venture entre as empresas européias First Choice e Royal Caribbean, teve o porto do Recife como a primeira parada brasileira depois de uma longa temporada no velho continente, no mês passado. "A maior vantagem de se trabalhar em um cruzeiro é ter a oportunidade de economizar dinheiro. Não temos despesa, só gastamos com o que queremos", observa a romena, que agora trabalha na área de um dos bares do navio.

  Que o diga o filipino Benjamin Malamug, 38 anos. Além de ter comprado um carro e uma casa, as sucessivas temporadas em cruzeiros já lhe renderam tours por 25 países de vários continentes. "Que emprego iria me proporcionar isso?", indaga. A experiência com o trabalho em hotéis, segundo ele, ajudou muito na hora de encarar a rotina nos transatlânticos, com jornadas normais de oito horas de serviço. "Não tenho o que reclamar da rotina no navio. Se estivesse trabalhando no meu país, jamais alcançaria o nível de vida que tenho agora", admitiu o filipino, que nesta temporada é garçom.

  Brasileiros também fazem parte desse contigente de trabalhadores em cruzeiros marítimos - o que, aliás, é uma medida regulamentada pelo Conselho Nacional de Imigração, que obriga a contratação de 30% deles em todos os navios de turismo operantes no País por mais de 30 dias. No Island Escape, cerca de 100 brazucas faziam parte da tripulação.

 
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