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Quando a vida real vira cinema
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Quem está acostumado aos grandes centros urbanos e chega pela primeira vez ao cenário do filme Deus é Brasileiro tem um choque cultural. A visão às margens do rio São Francisco, ao pé da escada onde o personagem de Antonio Fagundes desembarca, é como a registrada no filme: mulheres lavando roupa e crianças tomando banho de rio em meio à espuma das lavadeiras. Mas, calma. Não saia correndo. Siga pela ruela, direto à Secretaria de Turismo, onde você receberá todas as informações sobre os passeios de barco à foz, um santuário a cerca de 20 minutos do município.
A foz do rio, que separa os estados de Sergipe e Alagoas, é uma Área de Proteção Ambiental (APA), criada em 1983 para preservação das tartarugas marinhas, aves e vegetação, além de importantíssima para a fixação das dunas. São 188 km2, que englobam inclusive o município de Piaçabuçu, com 16 mil habitantes, e a vila de pescadores do Pontal do Peba, onde vivem outras três mil. A região também já foi o maior plantel de camarão do país, mas a pesca predatóriae a inclusão de peixes amazônicos no São Francisco fizeram a região perder o posto de maior produtor de camarão do país.
Ao chegar à foz, segure um pouco aquele banho demorado no paraíso. Atravesse um braço d'água e suba a duna. A vista é maravilhosa. Se quiser, pode voltar rolando duna abaixo até a água. Ali, no meio da tarde, quando a maré sobe, surge uma piscina de hidromassagem natural ao pé das dunas na margem alagoana. O tempo máximo permitido para permanência na foz é de uma hora. O Ibama se viu obrigado a limitar a duração dos passeios ali porque é a área onde as tartarugas marinhas se alimentam antes e depois da desova na margem sergipana. ''As pessoas vinham para cá com cadeiras de plástico, barraquinhas, e, quando vimos, já estava virando bar'', comenta Gustavo, funcionário do Instituto.
O passeio à foz é o ponto alto, mas não a única opção. Aos sábados, em Piaçabuçu, há saraus e apresentações de grupos locais. O Caçuá, um grupo de música e dança local ficou conhecido no país inteiro também graças ao filme de Cacá Diegues. Outro ponto alto é a banda de pífano do mestre Cícero.
Quilombos - Pensa que terminou? Que nada! Se você é do tipo aventureiro e já sonhou em conhecer comunidades remanescentes de quilombos, uma pedida é um passeio à comunidade de Pixaim - 27 casas de palha de coqueiro e uma população que vive, em sua maioria, na linha da miséria, no meio das dunas. Os historiadores acreditam que Pixaim era o local onde os escravos fugitivos viviam. Do alto, há uma vista privilegiada da foz e do rio. Se você estiver acompanhado de crianças pequenas, desista. São 30 minutos de caminhada e uma subida de duna para arrasar até quem tem um bom preparo físico, por causa do calor. Lá vive Aladim Calixto, o líder comunitário de 68 anos, 33 netos e um humor de fazer inveja. Aladim é um dos poucos que tem luz elétrica graças a uma das fontes de energia solar que ainda funciona. Se você é um candango de fé, ávido por praias quase desertas, deixe Aladim. As pousadas do Pontal do Peba são o seu destino. Os passeios formam um atrativo à parte, depois do show de dunas móveis ao sul do povoado e dos coqueirais.
O bugre pára próximo à subida das dunas. São 15 minutos de caminhada até o ponto mais alto, a ''duna do cajueiro'', uma das poucas que está fixa, graças à vegetação. Depois do show de luzes do amanhecer, um café da manhã, incluído no preço, numa fazenda de coqueiros da região. E se você quiser mais emoções, por R$ 20 é possível ficar seis minutos a 50 metros do solo - o parasail, puxado por um bugre.
À noite, depois de tantos passeios, nada como uma canga ou uma toalha estendida na areia para ver as estrelas. Se preferir, use uma cadeira.
Memórias - Prédios do século 19, igrejas centenárias e vestígios da visita de Dom Pedro II fazem de penedo um museu vivo da história do brasil. Um dia é suficiente para conhecer tudo, mas o ideal é demorar até se sentir personagem de um filme de época
Alagoas não é só praia e plantação de cana. Na cidade de Penedo, você poderá conhecer um pouquinho mais da história do Brasil imperial. O centro antigo, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico (Iphan) reúne igrejas e casarios do século 18. Os holandeses não tiveram tempo suficiente para deixar ali grandes obras à Maurício de Nassau, como ocorreu em Pernambuco. Em outubro de 1645, eles se renderam, destruíram o forte e queimaram praticamente todos os documentos. Portanto, em tudo o que você verá pelas ruelas do centro histórico predomina a herança portuguesa. Até no rio, destacam-se as lembranças portuguesas, como as velas quadradas das pequenas embarcações, as borboletas. Levam essa nome por causa do efeito das velas.
A Igreja Nossa Senhora dos Anjos já vale a visita. É a construção religiosa mais antiga da cidade. Em 1660, quando começou a construção, era um convento franciscano. Não deixe de olhar atentamente as imagens trazidas de Portugal e afrescos no teto, feitos em 1784 pelo artista italiano Libório Lazdro.
A próxima parada será a fundação Casa de Penedo. Lá você verá fotos do início do século 20, maquetes com odesenho original da cidade e os jornais da época. Foi fundada em 1992 e a entrada custa R$ 1.
Quando bater aquela fome, desça pelo paço imperial, onde uma das paradas da paixão de Cristo do tempo do império ainda resiste como uma pequena capela. Vá à igreja Nossa Senhora das Correntes e deixe seu pensamento voar ao tempo dos escravos. Repare no corte da madeira atrás do altar dedicado a Nossa Senhora das Dores, à esquerda de quem entra na igreja. Há um buraco na parede, construído para esconder escravos. Falta vistar ainda a casa onde se hospedou o imperador Pedro II - uma das primeiras construções da cidade.
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