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Atualizado em 04|01|2004 
Saúde | Bebês são tratados no útero
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Saúde
Bebês são tratados no útero
MEDICINA FETAL
A medicina fetal tem aumentado cada vez mais as chances de cura de doenças nos bebês ainda dentro do útero materno. Já é possível tratar desde anemias fetais, cistos torácicos e abdominais até obstruções do aparelho genital urinário da criança, com sofisticadas técnicas de dignóstico. Os métodos também possibilitam o rastreio de doenças cromossômicas, como a Síndrome de Down. Não há registros quantitativos dos resultados positivos obtidos pela medicina fetal no Brasil, mas nos Estados Unidos pesquisas mostram que foi reduzido de 50 para seis o número de óbitos por cada mil crianças nascidas vivas desde o desenvolvimento das técnicas de dignósticos e tratamentos intra-uterinos, a partir da década de 50.

  De acordo com o ultra-sonografista e especialista em Medicina Fetal pelo Kings College, da Inglaterra, Pedro Pires, a importância dos avanços no diagnóstico intra-uterino e assistência neonatal pode ser medida pela redução da morbidade (baixa qualidade de vida) e mortalidade (óbito) do bebê antes, durantee após o parto em gestantes de alto risco.

  Mulheres com idade acima de 35 anos, ou que sejam obesas, hipertensas crônicas, ou ainda que tenham doenças auto-imunes precisam obrigatoriamente de acompanhamento através da medicina fetal. Problemas como a hipoxia (redução da oxigenação do feto) têm maior incidência entre as gestantes hipertensas, que fumam, bebem e são viciadas em drogas, como a maconha. "Nesses casos é necessária a realização de ultra-sonografias seriadas para identificar os níveis de oxigênio e a situação do feto", explica Pires, que também coordena o serviço de medicina fetal do Hospital Santa Joana, um dos mais modernos do Recife.

  Mesmo quando os exames detectam anomalias no bebê que não podem ser tratadas ainda dentro da barriga da mãe, como as malformações cardíacas e esqueléticas, a medicina fetal tem o importante papel de antecipar a informação para que todas as precauções com relação ao tratamento da criança possam ser tomadas antes do nascimento. Foi o que aconteceu com o pequeno Lucas. "Ele nasceu prematuro, com uma pequena dilatação em uma das câmaras cardíacas. Descobrimos graças ao ecocardiograma fetal que fiz, aconselhada pelo meu médico, perto do oitavo mês de gestação", lembrou a psicopedagoga Maria Cristina de Paula Cardoso, 35 anos.

  Já sabendo do problema do filho, Maria Cristina mobilizou um enorme aparato para o tratamento cardiológico do bebê ainda na sala de parto. "Não sabíamos se ele iria precisar de uma cirurgia de emergência. Por isso, decidimos nos precaver", salientou. Felizmente, depois de passar por exames ao nascer, Lucas não precisou ser operado e deverá passar por uma nova avaliação quando completar 1,5 mês de vida.

 
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