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Edição de Quinta-Feira, 8 de Janeiro de 2004 
Política | Aliança PDT-PFL deve prosperar
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POLÍTICA
Aliança PDT-PFL deve prosperar
SUCESSÃO MUNICIPAL
RIO - Um encontro ontem entre os presidentes do PDT, Leonel Brizola, e do PFL, Jorge Bornhausen, praticamente deu o sinal verde para os diretórios regionais dos dois partidos articularem alianças para as eleições municipais deste ano, inclusive no Rio de Janeiro. Brizola classificou a reunião como uma "luz amarela" para as alianças e afirmou que o PDT pode apoiar a reeleição do prefeito Cesar Maia ainda no primeiro turno, mas fez ressalvas.

  "Não temos um impedimento em absoluto, mas nossas gestões não seriam iguais. Eu daria mais ênfase à educação. Tratar os problemas dos camelôs também não é simples. Não é no porrete. Mas um partido como o nosso se propõe a ajudar o prefeito num segundo período em áreas complicadas em que discordamos dos métodos adotados", argumentou.

  Esta não é a primeira vez que Bornhausen e Brizola ensaiam uma aliança. Em janeiro de 2002, eles se reuniram com Cesar para traçar uma estratégia conjunta para barrar o crescimento do então candidato do PSB à Presidência, Anthony Garotinho. Na época, Brizola chegou a cogitar o apoio à candidatura da ex-governadora Roseana Sarney (PFL-MA) à Presidência.

  Ex-desafeto, Cesar se tornou ontem alvo de elogios do ex-governador, que se diz responsável pelo primeiros passos do prefeito na administração pública, quando ele foi secretário de Fazenda em sua primeira passagem pelo governo estadual. Cesar revelou que as conversas com o PDT já duram três meses e se disse um admirador de Brizola. Para o prefeito, as diferenças ideológicas entre PFL e PDT não devem contar muito numa aliança para as eleições municipais. "Tenho uma dívida de gratidão com o governador", disse Cesar, ressaltando que não abandonará posições, como a repressão ao comércio ambulante.

CAFÉ - Bornhausen veio ao Rio apenas para tomar café da manhã com Brizola. De acordo com o senador, os dois conversaram sobre o primeiro ano do Governo Lula e sobre como os dois partidos podem atuar juntos, inclusive no Congresso, já que ambos se encontram na oposição. Ele evitou falar na formação de um bloco, mas lembrou que o PDT tem acompanhado o movimento do PFL e do PSDB no Senado nos últimos meses.

  O senador afirmou que a visita a Brizola demonstra o interesse do PFL de compor com o PDT não apenas no Rio de Janeiro, mas em outras capitais como Porto Alegre, São Paulo e Florianópolis. Líderes de partidos que sempre estiveram em lados diferentes em questões como as privatizações e a política econômica fizeram questão de ressaltar que a aliança não é ideológica, mas pragmática.

  "Temos linhas programáticas diferentes, mas temos uma condução comum, que é a oposição, que pode nos aproximar na eleição municipal", disse Bornhausen, acrescentando que a decisão sobre alianças cabe aos diretórios regionais. Brizola justificou a aproximação com críticas a Lula. "Não há alianças ideológicas, mas um esforço em torno de questões concretas. Estamos preocupados com a situação do País, que teve um ano mais do que medíocre."

 
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