O ano está chegando ao fim e as atenções políticas estão todas voltadas para o embate de 2004. Em 2003, eram necessários que alguns nós fossem desatados. A amarração do ano eleitoral começou cedo. Em janeiro, o primeiro a estar na rua, anunciando aos quatro cantos sua condição de candidato foi Joaquim Francisco. Ele precisava de um partido, caso o PFL negasse guarida, e de bons apoios. Conseguiu a legenda trabalhista e, melhor, o apoio eleitoral de Roberto Magalhães e de infra-estrutura de Armando Monteiro Neto. Esses companheiros Joaquim tem. Magalhães está amarrado pela presença do filho André, na condição de pré-candidato a vice e pela palavra empenhada. Monteiro Neto oferece apoio hoje em troca de apoio em 2006. No caso de Cadoca, ele precisou conquistar a indicação do seu partido e, mais do que isso, o apoio declarado de Jarbas, o maior eleitor da cidade até prova em contrário. A indicação do PMDB foi mais fácil do que supunham analistas de plantão. A presença de Jarbas na campanha está praticamente sacramentada pelas últimas declarações do governador e pelo raciocínio simples de que, para todos no Palácio do Campo das Princesas, é fundamental a reconquista do posto chave na Capital. O pré-candidato à reeleição João Paulo começou o ano na invejável condição de prefeito com base ampla e chances boas. O passar de 2003 não foi de flores para ele. A base de apoio ficou menor e as suas chances (como a de seus principais adversários) ganharam um equilíbrio. Profissional e bom de voto, João Paulo reage. Mudou sua campanha publicitária, está exibindo o que tem para mostrar, concluindo as principais obras e readquirindo forças. A batalha de 2003 já foi lutada. Agora começam os maiores embates antes da guerra.
A declaração do deputado estadual Cleiton Collins, do PSC, anunciando sua participação, de antemão temporária, na base governista, é um momento ruim da política de alianças. Não se dá apoio hoje, prometendo apoio ao adversário amanhã. Ou melhor: pode-se até dar, mas as conseqüências esperam o reencontro do eleitor com o voto.
Futuro Embora alegue não possuir tanto domínio assim sobre seu futuro, o secretário Dilson Peixoto programa voltar à Câmara dos Vereadores em abril, disputar novo mandato municipal em outubro e, em 2006, se tudo der certo, brigar por uma passagem para Brasília, na Câmara dos Deputados.
Retificação A deputada Ana Cavalcanti (PP) é fisioterapeuta com especialidade em mãos e não é médica, como informou essa coluna.
Postura Hoje o ministro da Saúde, Humberto Costa (PT), assina convênios que somam R$ 64,6 milhões, no Palácio do Campo das Princesas. Considerando que, no começo do ano, Humberto bateu no peito e se posicionou como líder da oposição no Estado, até que o ministro anda quietinho.
Pontos A não-citação do ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral (PSB), pelo presidente Lula (PT) na reunião de avaliação do ministério foi avaliado como ponto a favor pró indicação de Eduardo Campos (PSB) para uma vaga que poderá ser aberta no ministério do Governo federal.
Madrugador Hoje é dia de reunião da Comissão de Orçamento da Câmara Federal. Na pauta, o valor das emendas ao Orçamento de 2004. Um dos quatros coordenadores resolveu caprichar na precaução: Cadoca já está em Brasília. Pernambuco apresentou 19 emendas que totalizam cerca de R$ 740 milhões.
Menos Sabe-se que grandes líderes do Estado já assimilaram, sem tantas mágoas, Humberto Costa ministro da Saúde. Imaginar Eduardo Campos com o mesmo status é difícil, mas ainda pior poderá ser a ascensão de algum trabalhista pernambucano ao cargo de ministro. Essa hipótese colocaria por terra a versão de que o PT de Lula queria uma aproximação com o PMDB autêntico, do qual o governador Jarbas Vasconcelos (foto) já foi um ícone.
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