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Edição de Segunda-Feira, 22 de Dezembro de 2003 
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Opinião
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Pernambuco no Provão
A academia universitária de Pernambuco ficou com uma média regular na pontuação que decorreu do último "Provão". A Universidade Federal, dentre 24 cursos avaliados, ganhou distinção em dez. Já a Faculdade de Boa Viagem, particular, teve desempenho melhor em termos relativos porque, entre os três cursos sob avaliação, mereceu a distinção, ou seja, a letra "A" em dois deles, com aproveitamento, assim, da ordem de 63%. A Universidade (Estadual) de Pernambuco mereceu a nota máxima em 2 dos 26 cursos apreciados. E a Universidade Católica, 2 distinções em 16 cursos sob avaliação do Ministério da Educação.

  A pesquisa deste final de 2003 revelou que somos bons, isto é, somos iguais aos melhores do país no que se relaciona a disciplinas como Administração, Matemática, Ciências Biológicas, Ciências Contábeis, Química, Fonoaudiologia, Física, Geografia, Arquitetura e Urbanismo e nas Engenharias Civil e Elétrica. Noutras disciplinas, porém, a amostra de 2003 através do "Provão" nos adverte de que, numa porção dos cursos superiores ofertados, estamos numa desvantagem abismal relativamente a outros centros universitários. Obtiveram letra "E", a pior das cinco classificações possíveis, cursos de fundamental importância como Direito, Medicina e Engenharia Química, no que estão na companhia destas outras disciplinas: Enfermagem, Farmácia e Pedagogia. Entre as notas intermediárias (de "B" a "D"), acha-se a maioria dos cursos sob análise por parte das autoridades ministeriais.

  Sabe-se que o "Provão" cuida, apenas, do grau relativo de conhecimento que o professorado em cada unidade acadêmica terá tido a capacidade de transferir aos alunos. O julgamento pelo método atual é uma ilação, não perfaz nenhuma certeza inabalável. Escola e curso somente poderão ser razoavelmente avaliados quando acaso se confrontem os resultados do "Provão" numa seqüência de anos (teste da coerência) e quando os avaliadores ministeriais disponham de dados complementares, mas sumamente importantes, como a disponibilidade de livros, o serviço de laboratórios bem apetrechados, a qualidade por assim dizer formal do professorado, se possuidor do grau de mestrado ou do de doutorado etc. Talvez a partir de agora se inclua no conjunto avaliatório a pesquisa sobre o grau de interação entre a academia sob análise e a população a que se destina servir, sendo claro que essa interação será mais exigida no caso do curso de Medicina, por exemplo, do que no de Matemática e mesmo Direito.

  O certo é que, entre trancos e barrancos, o sistema de avaliação dos méritos chegou à universidade brasileira, depois de superar resistências clássicas e duras de vencer. No começo, a avaliação era só o "Provão" e nada mais. Depois, somaram-se novos requisitos, novos ingredientes. Ontem, a sociedade ficava sabendo da posição relativa de cada instituição acadêmica, mas, hoje, o cotejo foi dispensado, porque o Ministério não quer mais divulgar o ranking das instituições avaliadas. Pensa-se para os anos subseqüentes a introdução de novas idéias, de metodologias suplementares, o que é bom, porque, sobretudo no domínio do aprendizado em ciências, o objetivo permanente é o aperfeiçoamento continuado daquilo que se faz. O acadêmico que ficar satisfeito com o que estuda, descobre ou inventa estará morto em pouquíssimo tempo.

  Apesar das queixas iniciais do atual Governo contra o "Provão", segue o teste no papel-mestre de induzir o que de fato se faz em nossas escolas e centros de ensino e pesquisa no grau superior.

 
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