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Edição de Sábado, 20 de Dezembro de 2003 
Economia | Nível de reservatórios no NE registra queda
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ECONOMIA
Nível de reservatórios no NE registra queda
Sobra está apenas 1,23 acima da curva de aversão
RIO - Os reservatórios das hidrelétricas do Nordeste estão com apenas 1,23 ponto percentual de "sobra" em relação à chamada curva de aversão ao risco, criada pelo Governo para evitar que a região sofra novo racionamento de energia. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios do Nordeste estavam em 13,55% da capacidade de armazenamento anteontem, enquanto o percentual da curva de aversão era de 12,32%.

  Se atingir o nível mínimo, o ONS estará autorizado a "despachar" (autorizar o funcionamento) as usinas térmicas da região, inclusive as emergenciais. A tarifa dessas usinas é cinco a seis vezes mais cara do que os contratos normais das hidrelétricas. Apesar do baixo nível dos reservatórios, o ONS decidiu não "despachar" as usinas térmicas na semana que vem, mas fará nova avaliação no final do mês.

  A situação delicada do Nordeste atraiu a atenção de 30 parlamentares da região, que ontem fizeram visita ao Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), em Cachoeira Paulista (SP). Meteorologistas de todo o País estiveram reunidos esta semana no Cptec, órgão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e a avaliação consensual dos especialistas foi a de que o Nordeste viverá mais um período de forte seca nos próximos meses. Os parlamentares querem avaliar se haverá a necessidade de decretação de "calamidade pública" nas cidades mais afetadas.

  Até ontem, as chuvas na bacia do Rio São Francisco (a principal do Nordeste) estavam em torno de 23,41% da média histórica para o mês de dezembro, o que é considerado muito baixo pelos meteorologistas. No período de outubro a dezembro (o chamado período molhado'), a relação está em 37,15% da média de 30 anos calculada pelo Cptec.

  Segundo Lincoln Muniz, meteorologista do Cptec, a avaliação consensual entre os especialistas é de que as chuvas deste ano, especialmente na bacia do São Francisco, não devem se alterar a curto prazo. Conforme Muniz, o chamado "fenômeno El Niño" determina boa parte das alterações climáticas eeste ano não estão previstas grandes mudanças na temperatura dos oceanos, capazes de influenciar as chuvas no continente.

  Enquanto o Nordeste passou a inspirar cuidados, a situação no Sul do País se alterou completamente em dezembro, compensando a forte seca registrada entre agosto e outubro, quando as chuvas ficaram no menor nível dos últimos 50 anos. Pelos dados do ONS, os reservatórios do Sul estavam com 54,42% da capacidade máxima de armazenamento ontem, o que é quase o dobro do registrado no final de outubro, quando atingiu apenas 29% da capacidade.

 
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