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Novo coração de ator ainda corre risco de ser rejeitado
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SÃO PAULO - Foi uma corrida desesperada contra o tempo e, como todas as histórias de transplantes, entrelaçou vida e morte. Na quinta-feira de manhã, o ator Norton Nascimento, 41 anos, saltou para os primeiros lugares da lista de espera por um novo coração por causa de seu estado gravíssimo. Norton, além da emergência, tinha contra o si o tipo de sangue, "O" negativo, o mais raro, e o porte físico de ex-atleta, que exigia um doador com mais de 85 quilos.
Na quinta-feira à noite, o médico Ricardo Veiga, também de 41 anos, também "O negativo", com a mesma altura do ator de 1,90 m e 90 quilos, se dirigia para Angra dos Reis, para dar plantão. Sofreu um acidente de carro e teve morte cerebral. A família autorizou a doação do coração, fígado, pâncreas, rins e pulmão. "Era uma alma gêmea", resumiu o cardiologista Américo Tangari, da Beneficência Portuguesa.
JATINHO - O novo coração de Norton chegou a São Paulo de madrugada, trazido pela equipe do cardiologista José Pedro da Silva, da Beneficência, num jatinho cedido pela Rede Globo, vindo do Rio.
O estado do ator era tão desesperador que, na quarta-feira, os médicos se impressionaram ao vê-lo. Norton acordou e não conseguiu falar com a mulher, mas se emocionou e chorou ao saber de seu estado. "Essa reação indicou que as funções neurológicas estavam preservadas e foi fundamental para que decidíssemos fazer o transplante" , disse Silva.
O ator foi submetido ao transplante de coração na madrugada de ontem. O estado de saúde do ator, segundo informou boletim médico das 18h, ainda é grave, mas apresentou evolução desde o final da operação. A cirurgia para o transplante foi realizada à 1h30 de ontem. Os médicos afirmaram que o coração transplantado pode ser rejeitado em até três dias, mas que o problema pode ser controlado com medicamentos.
PREOCUPAÇÃO - Apesar de o estado de saúde do ator Norton Nascimento ainda ser considerado grave, o coração transplantado funciona bem, segundo o cirurgião cardíaco Paulo Paulista. Na manhã de ontem, o chefe da equipe de transplante do hospital, José Pereira da Silva, declarou que o principal problema do paciente é uma "síndrome inflamatória generalizada", que atinge outros órgãos, como rins, pulmões e fígado, por causa do período em que o ator sofreu de insuficiência cardíaca.
Antes de conseguir o coração, a mulher de Norton, a atriz Kely Cândia, de 28 anos, deu entrevistas e fez apelos, lembrando que doar órgãos é seguro - a despeito da CPI dos transplantes e do escândalo da venda de rins em Pernambuco. As famílias de Ricardo Veiga, assim como a de Cleiton da Silva Leite, de 20 anos, assassinado por skinheads, sabem disso e autorizaram as doações. Sinal de que a população confia no sistema.
congênito - O ator descobriu há apenas cinco meses que tinha um problema no coração. "Ele tinha parado de fumar e começou a sentir dores no peito. Achou no começo que fosse a falta do cigarro, mas quando foi ao médico descobriu o problema", contou Kely. Norton tinha um defeito congênito na válvula aórtica, que levou ao desenvolvimento de um aneurisma.
Na terça-feira, ele havia passado por uma cirurgia para corrigir o problema. Ao fim do procedimento, os médicos constataram que o órgão não teria condições manter seu funcionamento. Uma bomba artificial externa passou a ajudar a manter Norton vivo. Na quarta-feira, outra intervenção. Dessa vez para conter o sangramento nos pontos de sutura.
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