Castro Alves já assistiu a aulas em suas cadeiras. Rui Barbosa folheou alguns livros de sua biblioteca. Tobias Barreto também chegou a caminhar em seus jardins. Ultimamente, porém, o orgulho dos alunos da Faculdade de Direito do Recife em freqüentar a mesma escola onde estudaram tantos ilustres tem dividido espaço com a preocupação relacionada aos problemas que a instituição vem enfrentando. A falta de professores, a deterioração da estrutura física e a interinidade perene no cargo de diretor são fantasmas que atormentam os estudantes matriculados na instituição. Os freqüentes protestos realizados com o objetivo de reverter a situação não têm sortido efeito.
De todos os casos apontados, o mais grave, segundo a opinião dos próprios estudantes, é sem dúvida, a insuficiência no número de docentes. Segundo a coordenação do curso, faltam titulares em 13 disciplinas; 16 turmas enfrentam o drama de não terem mestres em pelo menos uma das aulas. Isso acontece porque os antigos professores ou se aposentaram, ou entraram de licença. "A minha turma está sem professor de direito penal pela manhã. Conseguimos fazer um acordo para freqüentarmos as aulas à noite, mas nem todos podem ir", revela Izac Menezes, 20 anos, aluno do 5º período.
Essa falta de professores é comum a outros cursos, mas agravada pelas peculiaridades da Faculdade de Direito do Recife, que tem cerca de 1.200 alunos.
ATENUANTE - Os estudantes citam que, apesar de em 1997 terem sido criadas 40 vagas a mais no Vestibular, a ampliação no número de docentes não acompanhou. "Já esteve pior no início deste ano, quando vinte e uma disciplinas estavam sem professor. Arrumamos um pouco os horários e conseguimos atenuar a situação, mas só neste semestre recebemos uns oito pedidos de aposentadoria", indicou o coordenador do curso, o professor Daniel Meira, que enxerga uma carência de 90 docentes em toda a Faculdade de Direito do Recife.
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