Ao descaso dos candidatos à motorista, some-se a conivência dos Centros de Formação de Condutores. "A concorrência entre os CFCs é predatória e há alguns aceitando que os alunos não assistam às aulas. Eles apenas assinam a ata e pegam o diploma", admite o presidente do Sindicato dos Proprietários de CFCs, Tibério Melo. Embora o custo real do curso esteja por volta dos R$ 400,00, estes arrumadinhos permitem que alguns candidatos paguem apenas R$ 200,00. Normalmente, quem é reprovado nos exames teóricos ganha aulas de reforço de graça - obviamente, se quiser.
"Os candidatos argumentam que não têm tempo, e como o negócio precisa se manter, este tipo de acordo acaba sendo feito", disse Melo. A sugestão do sindicato é o estabelecimento de um preço mínimo oficial para cada hora aula o que, teoricamente, forçaria a uma concorrência pela qualidade. No entanto, o diretor do Detran, Laedson Bezerra, diz que o órgão não pode interferir diretamente na questão do mercado. "O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) estabelece um valor máximo, mas o mínimo cabe à dinâmica do próprio mercado", declarou.
FISCALIZAÇÃO - Além disso, o Sindicato vêm cobrando do Detran uma fiscalização mais freqüente e eficiente, para evitar este tipo de prática, bem como a limitação do número de CFCs nos municípios. Hoje, não há um limite legal para a quantidade de auto-escolas numa cidade ou bairro. O diretor do Detran, Laedson Bezerra, explica que o órgão tenta orientar os interessados em abrir CFCs a não investir em áreas já saturadas, como o entorno do próprio Detran, já que não pode impedir ninguém de entrar no negócio. "Mostramos que ele pode vir a ter prejuízo se abrir um centro num local onde já existem outros", disse.
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