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Atualizado em 14|12|2003 
Saúde | Intoxicação por remédio cresce no País
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Saúde
Intoxicação por remédio cresce no País
Este ano, Brasil teve 20.534 ocorrências, com 57 mortes
Cleide Galdino
Da equipe do DIARIO
Com 32 mil itens de medicamentos sendo comercializados dentro do País, o Brasil está em sexto lugar no ranking das nações que mais consomem remédios no Mundo. A Organização Mundial de Saúde define como necessários apenas 420 deles para tratar os mais diversos tipos de doenças. A automedicação, velha e costumeira prática dos brasileiros, é apontada como uma das maiores incentivadoras desse fenômeno, que também pode ser dimensionado pelos registros do Sistema Nacional de Informações Tóxico-farmacológicas (Sinitox) da Fundação Oswaldo Cruz. Pelos últimos dados, o número de intoxicações por uso de medicamentos no Brasil chegou a 20.534 casos, com 57 óbitos. Em 1999, os registros eram de 19.882, com 50 mortes.

  O Nordeste vem em terceiro lugar, depois do Sudeste e Sul, em número de pessoas intoxicadas, com 2.172 casos e 14 óbitos. Em Pernambuco foram 488 casos em 2002, com um óbito. A maior parcela de intoxicados (343) era do sexo feminino. Do início do ano até agora, o Estado registrou 340 casos, com três óbitos.

  Esses números, segundo o coordenador do Centro de Assistência Toxicológica de Pernambuco do HR, Américo Ernesto de Oliveira Jr.,podem estar subnotificados, pois só levam em consideração os atendimentos em 32 centros de assistência toxicológica do País. Os medicamentos intoxicam mais do que qualquer outro agente, segundo os registros do Sinitox. Além dos remédios à base de ácido acetilsalicílico, dipirona, paracetamol, as drogas que mais são utilizadas sem orientação médica são as derivadas de benzodiazepínicos (calmantes).

  Embora boa parte dessas substâncias seja apresentada como inofensiva, algumas podem causar hemorragias gástricas, reações hepáticas e problemas de coagulação sangüínea, se tomados sem critério. A pedagoga Sheila Bandeira, 29 anos, não teve uma experiência agradável quando tomou, por conta própria, outro tipo de remédio, emagrecedores. "Tudo que me recomendavam eu tomava", lembra. Depois de se medicar com drogas à base de cloridrato de anfepramona e fibutramina, Sheila desenvolveu uma gastrite. Já a jornalista Juliana Melo, 24, teve um princípio de edema de glote e precisou ser hospitalizada por causa de uma aspirina. "Não tinha intolerância a esse tipo de remédio quando era criança. Por isso não me preocupei em tomar qualquer precaução".

  Os riscos da automedicação são ainda mais graves quando envolvem os antibióticos. Ingerir esse tipo de remédio sem prescrição médica pode mascarar doenças, dificultando o diagnóstico e o tratamento correto. Além disso, pode-se contribuir para o desenvolvimento de cepas de bactérias altamente resistentes aos antibióticos já existentes. "Existem pacientes de risco para automedicação, como os idosos, os diabéticos, as gestantes, e as mulheres que estão amamentando", adverte o professor de terapêutica da Faculdade de Medicina da UFPE, Carlos Brito.

  Vítimas freqüentes do uso indiscriminado de medicamentos pelos pais, as crianças são as que mais sofrem com intoxicação. Somente no Imip, representam 5% dos 200 atendimentos diários na emergência. Os produtos campeões de uso pelas mães são os descongestionantes, os antitérmicos e antiinflamatórios. "Se for tomado em doses erradas e repetidamente, esse tipo de medicamento pode causar insuficiência renal", informa o coordenador da pediatria do Hope Esperança e da residência médica do Imip, Eduardo Fonseca Lima.

 
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